António Franco Alexandre – É Assim Que o Olhar…

António Franco Alexandre

É ASSIM QUE  o olhar esbarra com as coisas, a fim película
sempre tensa, luzidia,
meu pai.
é altura de definir, precisamente, o poema: um arco,
a sombra que ilumina
o lugar onde nada se vê,
enlaçar
amado e amante

desaparecendo por detrás dos olhos, herdeiros
do nosso prazer e sofrimento.
ele cavalga nos meus ombros, ouvindo o clamor da floresta,
a terra sem mim.
não ouves? ele diz
os caules, a flauta
pousada nas horas.
ele é, nas minhas mãos, o leve peso das colinas.

corremos a auto-estrada, entre foguetes de campanha, autofalantes,
visite o mar da costa mais violeta!
eles a pouco e pouco mais ausentes,
meu pai,
levo embrulhados sonhos de presente, mas não sei
se chegaremos ao destino, pois enquanto
mudavam os cenários ele ouvia,
surdo, uma pequena melodia.

António Franco Alexandre (Viseu, 17/7/1944)
Poeta, professor universitário, doutorado em Matemática e Filosofia.

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