Alexandre Pinheiro Torres – Mar Não Absoluto

Alexandre Pinheiro Torres

Mulheres vêm à tona da água
na sua espuma de luto
Roupas Saias Lenços Fios
Um mar nada absoluto

Deslizam lentas e negras
e são chamados sargaços
(há montes delas na areia
apanhados nos engaços)

Mulheres beijam a flor da água
com seus corpos devolutos
Roupas Saias Lenços Fios
e beijos irresolutos

Por vales profundos e cristas
atravessam esse mar
São livres e são sinistras
Vêm de longe ver pescar

Mulheres brilham à tona da água
com seus corpos erradios
A fosforecência do luto
Roupas Saias Lenços Fios

Nas redes dos pescadores
eses fios se embaraçam
Se eles estão de olhos fixos
é para ver se os desenlaçam

Mas está tudo encordelado
como na água a chuva e os rios
Anzóis Linhas Mãos e Lágrimas
Roupas Saias Lenços Fios

Alexandre Pinheiro Torres (Amarante, 27/10/1923 – Cardiff, 3/8/1998)
Romancista, poeta, ensaísta, historiador de literatura, crítico literário, tradutor, professor catedrático, co-fundador da revista Serpente, bacharel em Ciências Físico-Químicas, licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas.

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