Joaquim Namorado – A Ilha dos Navios Perdidos

Joaquim Namorado

Aqui é a ilha dos navios perdidos,
dos navios abalroados, afundados
nos naufrágios…
Esta é a ilha perdida nos mapas,
perdida no mar dos sargaços;
este é o mar das Tormentas,
das tormentas desta vida,
onde há só tempestades e agoiros;
o céu
é esta noite negra sem limites
onde não vive um astro, uma nuvem ou uma asa;
a terra é esta,
os cascos oscilantes
dos mil navios perdidos:
Naus da Índia,
barcos piratas de moiros,
fragatas e caravelas,
navios dos Corte-Reais
onde jazem insepultos
os heróis mais verdadeiros
e os sonhos mais colossais.
— Nos mastros desmantelados
flutuam,
rotos e desbotados,
estandartes imperiais
e nos porões arrombados,
nos cofres de segredos inúteis,
dormem os tesoiros arrancados
a todos os orientes.

Não há grandeza que baste
quando a desgraça é tamanha!…

Joaquim Namorado (Alter do Chão, 30/6/1919 – Coimbra, 29/12/1986)
Poeta, ensaísta, um dos iniciadores do Neo-Realismo, colaborador das revistas: Seara Nova e Vértice, bem como de outras publicações, licenciado em Ciências Matemáticas, professor catedrático.

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