Sá de Miranda – O Sol É Grande

Sá de Miranda

O sol é grande: caem co’a calma as aves,
Do tempo em tal sazão, que sói ser fria.
Esta água que de alto cai acordar-me-ia,
Do sono não, mas de cuidados graves.

Ó cousas todas vãs, todas mudaves,
Qual é tal coração que em vós confia?
Passam os tempos, vai dia trás dia,
Incertos muito mais que ao vento as naves.

Eu vira já aqui sombras, vira flores,
Vi tantas águas, vi tanta verdura,
As aves todas cantavam de amores.

Tudo é seco e mudo; e, de mistura,
Também mudando-me eu fiz doutras cores.
E tudo o mais renova: isto é sem cura!

Francisco Sá de Miranda (Coimbra, 28/08/1481- Amares, 15/03/1558)
Poeta e dramaturgo, introduziu em Portugal: o soneto, a canção, a sextina, as composições em tercetos e em oitavas e os versos de dez sílabas, bem como a comédia em prosa, colaborador do Cancioneiro Geral,”doutor em Leis”.

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