Salette Tavares – Nascente

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Em gotas de ametista e de mamilo
sorvendo hoje nos favos de romã
escorro vale extenso e, de tranquilo,
o grande olhar de ontem amanhã.

Firme de barco, de terra e de castelo
navegando com o rosto no levante
na paisagem do tempo te congelo
ó múltiplo de ser, ó cada instante!

Com raízes de partida e de chegada
eu bendigo o dia e dou-lhe a mão
abrindo em flor na crua madrugada
para beber o céu e conhecer o chão.

Na pupila do tempo me surpreendo,
espero o rio para invadir o monte
e no fervor da sede e do tormento
sou o jorro da fonte que me irrompe.

 

Salette Tavares (Lourenço Marques, Moçambique, 1922 – Lisboa, 1994)
Poetisa, licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas e dedicou-se aos estudos de: Linguística, Estética, e Teoria da Arte, integrou o grupo da poesia experimental e visual em Portugal.

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