Albano Martins – Autobiografia Breve

Albano Martins

“Da adolescência não falo, que a não tive. Roubaram-ma. Desse roubo me tenho, ao longo dos anos, escusado a falar. Aproveito a oportunidade (…) para acusar os que, movidos por inconfessados impulsos beatos, decidiram encerrar durante cinco anos, entre quatro paredes, fechada à chave, a minha adolescência.

Aos 17 anos, com a colaboração dum funcionário, rompi a clausura e regressei ao seio familiar, isto é, ao mundo dos vivos. O roubo, entretanto, ficará para sempre impune: estão mortos os seus autores.

Das cidades-talismã que balizaram indelevelmente o meu percurso, lembrarei, em primeiro lugar, Santarém, onde, (…) conclui o curso liceal. Foi lá que, com o Augusto Ribeiro (…), descobri Fernando Pessoa. Antes dele,  tinha lido os Sonetos de Florbela Espanca, o de António Nobre, a Biografia de José Régio, os dois primeiros volumes do Diário de Miguel Torga e, também, A Cachoeira de Paulo Afonso e Os Escravos, do brasileiro Castro Alves.

Ao rumar a Lisboa, para frequentar a Faculdade de Letras, levava comigo o original dum pequeno livro, Secura Verde, um poema publicado no Diário do Norte e outro na Seara Nova, com o pseudónimo aberrante de Altino Carlos Olímpio, logo abandonado. (…)”

In “Autobiografia”,  JL de 16 – 19 Janeiro 2008

(continua)

Albano Martins (Telhado, Fundão, 6/8/1930)
Poeta, fundador da revista Árvore, colaborador de publicações, professor universitário, licenciado em Filologia Clássica.

There are no comments on this post.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: