António Osório – As Gaivotas

António Osório

No inverno pertence-lhes a praia. Outros ocu-
pantes, de passo miúdo, apensionado, aterram,
planando, no seu aeroporto, as gaivotas. Infide-
rentes aos cães, deles superiormente se esquivam.

Escolhem, para ver gente, o ponto iluminante
dos candeeiros. São curiosas, húmidas, algo de
pombo, milhafre, cinza.

No cais ao peixe-espada (ficarão sobre a areia,
lota, saque de guerra) pescadores armam ratoei-
ras de nylon. Carapaus do anzol
Dissimulantes. Com bordo, garra de âncora.

As gaivotas aguardam o que não temem, as de-
soluções do mar-
Belos, desterrados, abutres.

António Osório [de Castro] (Setúbal, 1/8/1933)
Poeta, licenciado em Direito.

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