Ferreira de Castro – O Brasil

Ferreira de Castro

“José Maria Ferreira de Castro nasceu em 1898 na aldeia de Salgueiros, freguesia de Ossela, em Oliveira de Azeméis (distrito de Aveiro), numa família de camponeses. A casa onde nasceu é hoje uma casa-museu reconstruída e decorada de acordo com a época em que ali viveu.

Era bom aluno, recorda nas Memórias. “Tinha, porém, uma vida triste e afastava-me quase sempre dos meus condiscípulos.” Uma vida pobre e “dolorosa”, em que se sentia “asfixiado”. “Cada vez eu me sentia mais só e sofria mais por não ser igual aos outros. Todos sonhavam com o ouro do Brasil, que constituía ali a suprema fascinação. O Brasil era a liberdade, a fuga à tutela familiar – e o mistério.” Tinha 12 anos, “era tão pequeno ainda!”, e partiu sozinho num barco rumo ao Atlântico sul.

A partir da independência da colónia (1822) e sobretudo após a abolição da escravatura em 1888, a emigração portuguesa para o Brasil floresceu. Nas vésperas da independência, eram mais de três milhões os portugueses residentes no Brasil. Ferreira de Castro parte em 1911, um dos 50 mil portugueses que emigraram para o Brasil nesse ano. Os censos da altura contam já mais de 5,5 milhões de portugueses na ex-colónia.

O Museu Ferreira de Castro, em Sintra, inicia o seu roteiro com um documentário de Faria de Almeida sobre a vida do escritor. As filmagens para a RTP são de 1971, mas só passaram na televisão depois do 25 de Abril.

Nele se conta que, ainda miúdo em Ossela, Ferreira de Castro estava apaixonado uma rapariga de 17 ou 18 anos, que passava todos os dias em frente da escola. “Linda, linda para mim, como eu nunca tinha visto outra. Chamava-se Margarida e embora este nome poético nunca fosse pronunciado sem um apêndice prosaico, eu gostava muito dela.” Escrevia-lhe cartas de amor em segredo.

“Depois desta, outra, e outra, e outra. Apesar disso, a Margarida continuava a cruzar, indiferentemente, o largo, sem volver os olhos para a janela da escola de onde eu a seguia com sofreguidão.” Queria “ser homem”, diz nas Memórias. “Até aos 20 anos foi essa uma das minhas maiores aspirações. Crescer, ter barba, para que me dessem a consideração de que eu julgava merecedor.” A decisão de partir para o Brasil era a concretização desse “gesto másculo”. “O gesto do homem que eu queria ser aos olhos de Margarida.” (…)”

In Público, 07 de Julho de 2013

José Maria Ferreira de Castro (Ossela, Oliveira de Azeméis, 24/05/1898 – Porto, 29/06/1974
Romancista e jornalista.

 

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