Literatura Africana de Expressão Portuguesa, Cabo Verde – Aguinaldo Fonseca – Meus Sonhos

Aguinaldo Fonseca

de asas desfeitas pelo sol da vida

deslocam-se como répteis sobre a areia quente

e enroscam-se raivosos

no cordame petrificado da fragata

das mil partidas frustradas.

Ah meu avô escravo

como tu

eu também estou encarcerado

neste navio fantasma

eternamente encalhado

entre mar e céu.

Como tu

também tenho a esmola do luar

e por amante

essa mulher de bruma, universal, fugaz,

que vai e vem

passeando à beira-mar

ou cavalgando sobre o dorso das borrascas

chamando, chamando sempre,

na voz do vento e das ondas.

Aguinaldo Fonseca (Cabo Verde, Mindelo, 22/9/1922 – Lisboa, 24/01/2014)
Poeta.

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