Tomaz Kim – Quando a Morte Vier, Meu Amor

Tomaz Kim

 

Quando a morte vier, meu amor,
fechemos os olhos para a olhar por dentro
e deixemos aos nossos lábios o murmúrio
da palavra branda jamais pronunciada
e às nossas mãos a carícia dispersa;
relembremos o dia impossível,
belo por isso e por isso desprezado,
e esqueçamos o que nos não deixaram ver
e o resto que sobrou do nada que possuímos;
deixemos à poesia que surge
o pranto de quem a trocou para comer
e os passos sem rumo pelas ruas hostis;
deixemos à carne o que não alcançámos,
e morramos então, naturalmente…

 

Tomaz Kim (Lobito, 2/2/1915 – Lisboa, 24/1/1967)
Pseudónimo de: Joaquim Fernandes Tomaz Monteiro-Grillo.
Poeta, tradutor e ensaísta, colaborador em diversos periódicos, licenciado em Filologia Germânica.
Fundou e dirigiu: Cadernos de Poesia com Ruy Cinatti e José Blanc de Portugal.

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