Gomes Leal – A Lady

Aquela que me tem, agora, presa
Minha alma, meus sentidos, meus cuidados…
E me faz sonhar sonhos desmanchados,
É uma altiva e olímpica inglesa.

Nunca tipo ideal de mais pureza
Vi nos góticos quadros mais prezados.
Seus doces olhos castos e velados
Têm um ar, infinito, de tristeza.

Tem uns gestos de deusa que caminha
Fonte grega, e um ar grande de Rainha,
E umas mãos como as ladies de Van Dyck…

Segue-a sempre um lacaio, e tristemente,
É por ela que eu morro, lentamente…
E ponho no bigode cosmétique.

 

Gomes Leal (Lisboa, 6/6/1848 – Lisboa, 29/1/1921)
Grande poeta português depois de Camões, jornalista e crítico literário.

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