Albano Martins – Autobiografia Breve (continuação)

 

“(…) Na Faculdade de Letras, a funcionar ainda lá ao fundo da Rua do Século, no velho casarão da Academia das Ciências, e onde, dizia-se, se subia a descer, tive como professores algumas das personagens mais respeitadas de então: Vitorino Nemésio, Hernâni Cidade, Luís Filipe Lindley Cintra, Walter de Medeiros, e também Rebelo Gonçalves e Delfim Santos, este na área das Ciências Pedagógicas.

Meu colega de curso, de ano e turma, era o José Terra, um dos fundadores da revista Árvore, de que acabara de sair o primeiro fascículo.

Foi pela sua mão que, uma tarde, após as aulas, a uma das mesas do café, na Rua da Restauração, entrei no grupo, de cuja aventura participei activamente até à morte violenta da revista, em 1953, por decisão da Censura e às ordens da Polícia Política do anterior regime.

Era na cave do Café Martinho, ali ao lado do Teatro D. Maria II (depois, como quase todos os cafés da Baixa, transformado em Banco), era ali, dizia, que à tarde (e algumas vezes à noite)  nos juntávamos, eu, o Raul de Carvalho, delineando estratégias para a revista, escrevendo ao António Ramos Rosa (então a viver em Faro), ao Vítor Matos e Sá, ao Egito Gonçalves e a outros, ou ocupados  na tradução de algo que acabáramos de ler e gostaríamos de partilhar com os amigos (caso, por exemplo, de O EquívocoLe Malentendu -, de Camus, cuja versão, a duas mãos, permanece inédita).

E era ali também que, com frequência, aparecia o António Carlos, que há anos – tão cedo! – nos deixou, e, menos frequentemente, o Luís Amaro, escrupuloso funcionário da Portugália Editora.

Uma que outra vez por lá apareciam ainda o João Rui de Sousa, o António Osório, o Rogério Fernandes e, no piso superior, em surtidas rápidas ou estratégicas, o Mário Cesariny, o Raul Leal e o António Navarro. (…)”

In “Autobiografia”,  JL de 16 – 19 Janeiro 2008

(continua)

Albano Martins (Telhado, Fundão, 6/8/1930)
Poeta, um dos fundadores da revista Árvore, colaborador de publicações, professor universitário, licenciado em Filologia Clássica.

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