Literatura Africana de Expressão Portuguesa – Carlota de Barros – A Ternura das Mães

 

Quero que o tempo traga…

toda a ternura das mães

para acalmar as tempestades

no mundo

quero olhar as cidades crescerem

e ver o sorriso das gentes

sem o terror de fétidas águas lamacentas

a cobrirem lares e telhados

rios furiosos contra árvores

pontes e campos lavrados

ondas gigantes engolirem ais de terror

corações gelados de pavor

quero ver a cidade dos blues renovada

com o povo à porta

de suas casas de madeira

o coração alegre e povoado de gente amiga

quero que as mães se juntem

e cubram de ternura os povos desavindos

bombistas suicidas e os senhores do mundo

e os faça acabar com o inferno

que enegrece as almas

destroça corpos casas e florestas benditas

quero que a ternura das mães

salve crianças

da crueldade dos loucos

que as perseguem e as lançam

no lodo do mundo

quero que a ternura das mães

encha de confiança e amor

o coração de cada mulher e de cada homem

e os livre das suspeitas amargas

que os ferem de mágoa e rancor

quero que a ternura das mães

gotas de água pura

adoce corações

e os liberte do ódio racial

da inveja

do medo

do abismo

sem contornos

quero

que a

ternura das

mães

invada o

mundo

de paz e

de

amor

 

Carlota de Barros (Cabo Verde, Ilha do Fogo, 24/01/1942)
Poetisa, colaboradora de diversas publicações, professora do ensino secundário, licenciada em Filologia Germânica.

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