João Gaspar Simões – A Poesia de Mário de Mário de Sá-Carneiro

“(…) Sá-Carneiro vencia a estética do simbolismo (e a de decadentismo) descrevendo, quási sem querer, o seu drama de condenado a um ideal poético que já não se coadunava com a sua personalidade.

A poesia moderna é êste mesmo traduzir da alma humana  em vôos amputados; o poeta que se exprime, hoje exprime-se duplo; vê-se ser sensível e vê como é sensível.

Sá-Carneiro também: mas ainda a mêdo, descaindo a cada passo na expressão do que já não era para a sua poesia.

Daqui o duplo aspecto que ela hoje tem para nós: por um lado presa ainda à estética do século passado; por outro ligada já à estética dos nossos dias, cheia de duplicidade e de mergulhos de olhos abertos no mar tumultuoso e sem fim do inconsciente humano.”

SIMÕES, João Gaspar,  “A Propósito da “Dispersão”, de Mário de Sá-Carneiro”, in Cadernos de Poesia

João Gaspar Simões (Figueira da Foz, 25/2/1903 – Lisboa, 6/1/1987)
Romancista, dramaturgo, ensaísta, crítico literário, biógrafo, co-fundador das Revistas Tríptico e Presença, licenciado em Direito.

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