Eugénio de Castro A Laís

 

À ciprina Laís, de quem sou tributário.
A Laís, que possui compridas tranças pretas,
P’lo meu escravo mandei, no seu aniversário,
Um cacho moscatel num cabaz de violetas.

Os amantes, que dão às suas namoradas
Fulgurantes anéis de riqueza estupenda,
Luminosos rocais e redes consteladas,
Hão-de sorrir, bem sei, da minha humilde of’renda.

Pensei em dar-lhe, é certo, um precioso colar
E um anel com mais luz do que o incêndio de Tróia,
Mas reconsiderei de pronto, ao atentar
Que ainda ninguém viu dar jóias a uma jóia…

 

Eugénio de Castro (Coimbra, 4/3/1869 – Coimbra, 17/8/1944)
Poeta, marcou o início do Simbolista em Portugal com o livro de poemas Oaristos (1890), colaborou nas revistas Os Insubmissos e Boémia Nova, licenciado em Letras, professor catedrático.

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