António Osório – Camões

 

Lia-me Camões meu Pai.

A tristeza de ambos

se juntava, em mim crescia.

E a voz, a inalterável

mergulhia das palavras

procriavam sarmentosos liames.

(Basílico a Mãe depunha no lume,

a carne com alecrim perfumava).

O livro de carneira negra,

as letras juntas em oiro:

morros, alusões, muros

verdentos, o último da vida ouvia.

Amor doía, emaranhava.

Mordaça invisível. Em lágrimas,

minhas, de meu Pai e de Camões, voava.

 

António Osório [de Castro] (Setúbal, 1/8/1933)
Poeta, colaborador das revistas: O Tempo e o Modo, Seara Nova, Vértice e Colóquio/Letras, um dos fundadores da Anteu, 1954,  licenciado em Direito.

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