José Miguel Pinheiro de Oliveira – Eu queria de ti um país

 

Queria de ti um país
como aquele em que viveu Cesariny.
Não fui ainda capaz de te dizer, sabes:
You are Welcome to Elsinore.

Para fazer de ti um país
atravessaria os muros habitados da fronteira
rasgava as cartas de marear culpadas de naufragar
a partia outra vez numa casca de noz rumo ao Oriente.

Eu queria de ti um país
e escutar silêncio na onda do teu sopro
ao meu ouvido encantava apenas ouvir-te respirar
para comprovares a verdade anatómica dos meus músculos
seria marinheiro sem saber nadar
morreria afogado na corrente dos teus olhos
pela luz queme deste a estes versos
com o músculo liso do coração aos tropeços.

Não fui capaz de te dizer que vi em ti o meu país
pequeno
do tamanho do meu quarto.

Nos teus lábios os meus nasceriam certamente
como as flores que nascem em Maio
geograficamente inclinadas para a nascente.

Por isso vem visitar-me
outro dia, outra noite:
You are always welcome to Elsione.

Farei dos versos um país com casas, caminhos, pontes
e de ti uma caixa de ressonância para o meu canto do cisne
Agora.

Porque a morte pode não me querer esperar
e eu quero um país para morrer.

Badajoz 2007

(poema premiado, 2.º lugar, na IX edição do concurso nacional de poesia
Agostinho Gomes – Oliveira de Azeméis 2008)

In Nova Antologia de Poetas Alentejanos

 

José Miguel Pinheiro de Oliveira (Delães, Vila Nova de Famalicão, 26/05/1973)
Escritor, licenciado em Filosofia, professor no Alentejo.

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