Carlos Queirós – Anti-Soneto, Ao Mário Saa

 

O nosso drama de portugueses,
O nosso maior drama entre os maiores
Dos dramas portugueses,
É este apego hereditário à Forma:
(Ao modo de dizer, aos pontinhos nos ii,
Às vírgulas certas, às quadras perfeitas,
À estilística, à estética, à bombástica,
À chave de ouro do soneto vazio),
Que põe molezas de escravatura
Por dentro do que pensamos
Do que sentimos
Do que escrevemos
Do que fazemos
Do que mentimos.

QUEIRÓS, Carlos,  Cadernos de Poesia

Carlos Queirós (Lisboa, 5/4/1907 – Paris, 27/10/1949)
Poeta modernista, um dos grandes vultos da Revista Presença.

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Uma resposta

  1. Já não somos tanto assim…Não sei se é bom, se mau…! ADORO Carlos Queirós

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