Afonso Duarte – Recordação

 

Eu bem sei

Que rodo em muitas esferas

E não sei

Por onde me levas, poesia.

Quando vou,

E não encontro ninguém,

Tenho medo do que sei:

Um filho de sua mãe

E seu pai,

Ou algum longínquo avó,

A quem um poeta sai.

Será também o Deus da infância

E a árvore sagrada

De frutos proibidos,

Na fragrância

Com que rasguei meus vestidos

E não retirei os ninhos…

 

Enchi de rosas a terra

E levo nas mãos espinhos.

 

Afonso Duarte (Ereira, freguesia de Verride, concelho de Montemor-o-Velho, 1/1/1884 – Coimbra, 5/3/1958)
Poeta, professor, pedagogo e lavrador, licenciado em Ciências Físico-Naturais.

 

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