Alexandre Pinheiro Torres – A Lâmpada Apaga-se

 

O combustível do olhar está no zero do indicador de nível,

e a boca ávida de chama sorve as últimas gotas da mecha
mirrada].

A lâmpada do olhar, em breve liquidamente exausta,

deixará de incendiar a secura das coisas.

 

Há um resto de corpo que ainda arde para além da chama

ao abrigo da pequena e isolada gruta do coração,

e dai parte a súbita e alta labareda

que precipita a lâmpada num paraíso de trevas.

 

Alexandre Pinheiro Torres (Amarante, 27/10/1923 – Cardiff, 3/8/1999)
Romancista, poeta, ensaísta, historiador de literatura, crítico literário, co-fundador da revista Serpente, colaborador em diversas publicações: Diário de Lisboa,  Colóquio/Letras, Seara Nova, Vértice, JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, galardoado pela Associação Portuguesa de Escritores com: Prémio de Ensaio Jorge de Sena (1979), Prémio de Ensaio Ruy Belo (1983) e Prémio da Poesia (1983), pelo volume de poemas A Flor Evaporada, tradutor, professor catedrático de Literatura Portuguesa e Brasileira na Universidade de Cardiff, para a qual foi convidado como docente, bacharel em Ciências Físico-Químicas, licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas.
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