Deodato Guerreiro – Balada para uma Ceifeira

 

Ceifeira do Alentejo
Há quanto tempo não vejo
Teu corpo ceifando o trigo.
Teu rosto moreno ao sol,
Minha eira, meu farol
Meu deserto e meu amigo.

Ceifeira do Vale do Sado
Diz esta sina este fado
Hás-de ser noiva em Agosto.
Que o pastor que ao longe canta
Transporta o sol na garganta
Para o trigo do teu rosto.

Ceifeira do Alentejo,
Tua voz dá cor ao brejo
Da charneca és a princesa.
Rosa brava junto à sebe,
Água fresca em minha sede,
És ganhã, mas tens nobreza.

Ceifeira da minha terra,
Vou pedir àquela serra
Que te alpendre junto aos céus.
Que as santas são destinadas
A acordar as madrugadas
Na mão direita de deus.

Ceifeira do Alentejo,
Ai, que saudades do trigo,
Que lembranças do poejo.
Saudades de quando eu era
mais alto que a primavera,
Tamanho do Alentejo.

In Para Alvalade, Com Amor

Augusto Deodato Guerreiro (Alvalade Sado, 17/01/1949)
Poeta, autor de vários livros e outras publicações .
Licenciado em História, especializado em Ciências da Comunicação, Doutor em Ciências Documentais, Professor universitário.

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