Amália Rodrigues – Asa de Vento

 

Sou charneca sou monte, brisa a correr ligeira
Sou água fresca a correr na fonte
Sou rosa da roseira

Sou o cheiro das flores, fé do meu pensamento
Filha d’amores, irmã das dores
Sou mãe do sofrimento

Tenho no peito um pássaro encarnado
Que anda sem jeito, a mim amarrado

Sou charneca sou monte, sou noite enluarada
Flor de alecrim, ramo de jasmim
Sou papoila encarnada

Sou flor de primavera, sou sonho de verão
Planície aberta, praia deserta
Que espera a tua mão

Coração fruto que é maduro e verde
Meu choro enxuto, dor que se não perde

Sou charneca sou monte, sou manhã perfumada
Planície aberta, praia deserta
Sou ilha abandonada

Sou charneca sou monte, verde fruta colhida
Erva cidreira, mansa oliveira
Sou lágrima perdida

Asa de vento, inimiga da sorte
Roseira brava, não há quem me corte

Amália Rodrigues (Lisboa, 1/7/1920 — Lisboa, 6/10/1999)
Fadista, cantora e actriz, reconhecida como a Rainha do Fado a nível mundial.

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