Fernando Guimarães – Metamorfose

 

Ao longe viste os ramos do que somos
tocados pelo vento.  Os mesmos lábios
disseram o que em ti se espalha como
a areia, estas dunas, o prenúncio

da substância extrema que se amolda
a tudo.  E unidos ficam por mais tempos
até que sejam a dispersa forma
de se perderem num mais firme gesto

que dissipe as sementes junto aos sulcos
há muito entreabertos para serem
o lugar de repouso.  Este era o súbito

vislumbre das suspeitas que nos trazem
o impulso com que possas receber
apenas outro dom, a identidade.

 

Fernando Guimarães (Porto, 3/2/1928)
Poeta, ensaísta, tradutor, antologista, professor e investigador, licenciado em Histórico-Filosóficas.

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