Archive for Fevereiro, 2019

Literatura Africana de Expressão Portuguesa, Cabo Verde – Germano d´ Almeida, O Homem e o Escritor de A a Z (G)
Fevereiro 20, 2019

 

G DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

 

Acrescentaria Eça de Queirós e Jorge Amado*. Amo os três, li tudo o que encontrei deles.

Com o Memorial do Convento, Saramago encorajou-me a prosseguir uma experiência de contar estórias que sentia em mim mas não me atrevia a usar. Obrigado à Maria Leonor que me mandou o livro depois de ler o primeiro editorial do Ponto&Vírgula.

Com García Márquez aprendi que não há limites para as loucuras da imaginação, se ele até ganhou o Nobel!

Eça é a incomparável e suprema ironia dos bem-aventurados pobres de léxico que acabam ganhando o reino da glória. ”

 

In JL de 6 a 19 de junho de 2018

(continua)

 

* Permito-me subentender tratar-se de um lapso, uma vez que os três a que o autor se refere, destaca Saramago e não Amado.

 

Germano d´ Almeida (Boa Vista, Cabo Verde, 1945)
Contista e romancista, Prémio Camões (2018), advogado.

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Gentílicos ou Pátrios de Estados e Territórios – Polinésia Francesa; Polónia; Porto Rico; Quénia; Quirguizistão; Quiribati; Reino Unido; Rep. Centro-Africana; República Checa; República Dominicana 
Fevereiro 20, 2019

 

Polinésia Francesa ——————————- polinésio

Polónia ————————————————— polaco

Porto Rico ——————————————– porto-riquenho

Quénia ————————————————– queniano

Quirguizistão ————————————– quirguize

Quiribati——————————————— quiribatiano

Reino Unido ————————————- britânico

Rep. Centro-Africana ——————– centro-africano

República Checa —————————- checo

República Dominicana —————— dominicano

(continua)

Joseia Matos Mira – [Inconsciente a Mão…]
Fevereiro 19, 2019

 

Inconsciente a mão afaga a relva;

Viaja na distância o olhar,

Onde se somem as asas e as velas;

Exaltado pulsa o coração no mundo.

 

MIRA, Joseia Matos, Trans-Lúcido, 2006

 

Joseia Matos Mira (Baleizão, Beja)
Romancista, contista e poetisa.
Professora do ensino secundário e superior, licenciada em Filologia Românica, doutorada em Literatura Francesa.

José Luís Peixoto – Vertigem
Fevereiro 19, 2019

 

somos tão novos e estamos tão perdidos, o teu silêncio

dentro dos gritos das árvores, o meu silêncio sobre o

entardecer, seria feliz se pudesse dizer-te: vem,

vamos fugir de mãos dadas, amor.

 

PEIXOTO, José Luis,  A Casa, a Escuridão, Temas e Debates

 

José Luís Peixoto (Galveias, Ponte de Sor, Setembro de 1974)
Poeta, romancista, dramaturgo, colaborador de diversas publicações nacionais e estrangeiras, licenciado em LLM, variante de Inglês Alemão.

Francisco do Ó Pacheco – [Foi Contigo]
Fevereiro 19, 2019

 

Foi contigo

 

Sós

Naquela praia

De fina areia

Onde em suave

Marulhar

 

As ondas apareciam

Sussurrar

 

Alegremente

O seu mais belo

Cântico

 

PACHECO, Francisco do Ó,  Luena da Praia

 

Francisco do Ó Pacheco (Sines, 13/9/1947)
Poeta, romancista, colaborador de várias publicações, diretor do Jornal Diário do Alentejo de Beja de 2005-2007, autarca.

Antónia Vilar – Malmequer
Fevereiro 19, 2019

 

Branco e amarelo nos teus dedos.

Com pólen desenhas infinitos no meu corpo,

Depois bebemos o mel do mesmo destino,

No mesmo porto.

 

E aí ficamos.

O mar ensurdece a nossa fúria, o nosso grito: a mesma dor

Bem-me-quer, muito pouco ou nada,

Meu amor,

 

O tempo é tão deserto como outra coisa qualquer,

Fluido, como uma aragem

Malmequer.

Miragem.

 

(Abril/1988)

(Inédito)

 

In Nova Antologia de Poetas Alentejanos

 

Antónia de Jesus Vilar Baião (Safara, 1954)
Poetisa, licenciada em Sociologia.

Raul de Carvalho – Onde
Fevereiro 19, 2019

 

A quem pergunte

por ti, responde:

Procurem onde,

só, me dirijo.

O chão que pizo

o ar que bebo

não me pertencem

não me lembro.

Noutros lugares?

Desde o princípio

que vejo, esqueço,

e nunca volto.

Aqui não busquem

consentimento

para um encontro.

Porque indiferente,

remoto, auzente,

me encontrarão

apenas onde

de vós se esconde

meu coração.

 

In Cadernos de Poesia

 

Raul de Carvalho (Alvito, 4/9/1920 – Porto, 3/9/1984)
Poeta, colaborar em diversas publicações, nomeadamente: Távola Redonda, Cadernos de Poesia e Árvore, de que foi co-director, pintor e fotógrafo.

Alfredo Margarido – A Paisagem
Fevereiro 19, 2019

 

A amplitude da fornalha

do extinto repouso

arde em sol e festival

treme na pele translúcida

para recumbir nos campos.

 

A súmula é o passeio

de mãos dadas com a música

comentada pela estátua

e o fruto macio e descascado,

– moça morena fendendo

o mais alto do desejo.

 

Aí se expande a ternura

em chispas e labaredas

para te por as mãos nos seios,

o afago, o beijo suave,

a desvantagem do escuro

– a paisagem interdita e temida.

 

Alfredo Margarido (Moimenta, 05/02/1928 – Lisboa, 12 /10/2010)
Ficcionista, poeta, ensaísta, crítico literário, tradutor, professor universitário, pintor.

Alberto de Lacerda – Vento
Fevereiro 19, 2019

 

Que a minha vida fosse para os humanos

como o vento que passa e que se esquece.

 

Alberto de Lacerda (Ilha de Moçambique, 20/9/1928 – Londres, 26/8/2007)
Poeta, fundador da revista Távola Redonda com Ruy Cinatti, António Manuel Couto Viana e David Mourão-Ferreira locutor e jornalista da BBC, professor catedrático nos EUA.

Jorge de Sena – A Solidão Visitava-me
Fevereiro 19, 2019

 

Quando imaginava,

logo aparecia

a solidão brevemente pousada à beira dos meus lábios.

E, se eu falava,

ela sorria.

 

Ai solidão,

tu que de longe vinhas

como ausências minhas,

que devo imaginar?-

– não pousas nos meus lábios nem sorris,

desde que entraste,

e te assentaste;

nem me val´falar.

 

5-4-951

 

In Cadernos de Poesia

 

Jorge de Sena (Lisboa, 2/11/1919 – St.ª Bárbara, Califórnia, 4/6/1978)
Poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta, crítico, tradutor, professor catedrático, licenciado em Engenharia Civil e doutorado em Letras.