Archive for the ‘Biografias’ Category

Vergílio Ferreira na Primeira Pessoa (Continuação)
Dezembro 13, 2018

 

“(…)  E eis que se me levantam os sete anos de Coimbra. Sombrios, longos, penosos. Mas o que acede desse tempo à evocação tem apenas o halo de uma balada. Ruas da Alta, e a Torre, e o palácio rio do alto da Universidade, e os mestres que eu julgava um prodígio da Natureza, quando cheguei à cidade, e fiquei a julgar também, a vários deles, quando saí, mas com outro sinal, e  a praxe estúpida, e os namoros estúpidos, e a descoberta, enfim, da literatura (…) , e as tertúlias, as rixas, o próprio futebol, as próprias desgraças físicas – tudo me ressoa agora a uma toada de legenda. (…)

Assim Coimbra, só no ressoar do seu nome tem já um timbre de guitarra. (…) Coimbra da saudade difícil, Coimbra de sempre e de nunca. Coimbra a levei, longo tempo me acompanhou, presente, obsessiva.

Mas ainda havia tanta coisa à minha espera. Faro de ar marinho, da laguna das águas mortas, Bragança das invernias, Évora, Lisboa.

Professor sou-o por fatalidade. Mas alguma coisa se me impõe na avidez dos alunos que me escutam, na necessidade de responder à sua descoberta do mundo – e assim me invento o professor que não sou, e eles imaginam em verdade o que é em mim só ficção. (…)”

In JL 28 de janeiro de 1986 (dia em que completou 70 anos)

(continua)

 

Vergílio Ferreira (Melo, Gouveia, 28/1/1916 – Lisboa, 1/3/1996)
Romancista, contista, ensaísta, autor de diários, galardoado com o Prémio Camões em 1992,  professor, licenciado em Filologia Clássica.

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Vergílio Ferreira na Primeira Pessoa (continuação)
Novembro 21, 2018

 

“E quando aos sete o fui ver esticado na cama, a face toda negra, e me obrigaram a beijar-lhe a mão morta, já tinha o destino talhado para o Senhor.

Minhas tias apoderam-se logo de mim, negligenciando um pouco os meus irmãos e sufocaram-me de religião.

Na instrução primária cumpri. Deus mostrava à evidência que me chamava ao seu serviço. Era forte em contas, mas atrapalhado na História, de qualquer modo, os desígnios de Deus eram evidentes. E assim, para se cumprir a sua vontade, parti.

Ficava à distância de um dia de comboio, o Seminário. Saio na estação ao anoitecer, há uma multidão de seminaristas à minha volta, todos vestidos de preto. Estou entre eles, não conheço ninguém.

Avançamos pelo escuro estrada fora, no tropear confuso de uma enorme massa negra.

O Seminário espera-nos numa curva da estrada. É um casarão enorme, olho-o do fundo do meu pavor. Há Outono à minha volta, respiro-o agora em todo esse passado morto, nos castanheiros a desfolharem-se na cerca, no espaço dos salões, nos longos corredores ermos, nos ângulos cruzados pelos espectros dos prefeitos.

Mas seis anos depois, levantado de heroísmo, saí.

Fiz o liceu, entrei na Universidade. Mas não o fiz assim em três palavras como o faço aqui. Meu irmão corpo. Como foi difícil acomodarmo-nos um ao outro. À vida que me coube não a pude utilizar toda. Numa fracção dela acumulei assim aquilo com que se realiza  – o sonho, o trabalho, a alegria. (…)”

 

In JL 28 de janeiro de 1986 (dia em que completou 70 anos)

(continua)

 

Vergílio Ferreira (Melo, Gouveia, 28/1/1916 – Lisboa, 1/3/1996)
Romancista, contista, ensaísta, autor de diários, galardoado com o Prémio Camões em 1992,  professor, licenciado em Filologia Clássica.

Literatura Africana de Expressão Portuguesa, Cabo Verde – Germano d´ Almeida – O Homem e o Escritor de A a Z (B)
Novembro 20, 2018

 

“B DE BOA VISTA

Desde sempre não tive dúvidas de que a ilha da Boa Vista era o centro do mundo.

Mas ficando um pouco mais adulto, já com alguma instrução e experiência de vida, consenti em alargar esse centro de forma a abranger Cabo Verde Inteiro.

Ora deste postulado nunca saí e, descaradamente plagiando o Eça, defini-me como sempre “rústico de Boa Vista”.

Na realidade visito-a com muito pouca frequência, mas isso não me faz qualquer falta, porque carrego-a como algo intrínseco à minha pessoa e ela continua sendo o inesgotável baú onde desencovo todas as minhas estórias.”

(continua)

In JL de 6 a 19 de junho de 2018

 

Germano d´ Almeida (Boa Vista, Cabo Verde, 1945)
Contista e romancista, Prémio Camões (2018), advogado.

Alberto de Lacerda na Voz de Helder Macedo
Novembro 19, 2018

 

“(…) O exílio de AL não foi apenas metafórico, foi também factual. Tinha ido muito jovem  de Moçambique para Portugal,  foi de Portugal para a Inglaterra, visitou o Brasil, residiu nos Estados Unidos, e regressou à Inglaterra onde morreu em 2007, com 78 anos.

Conheci-o em Lisboa – eu ainda adolescente, ele já poeta reconhecido – e, algo hesitantemente, contatei-o  quando vim a Londres pela primeira vez, em 1597. Foi uma festa diária, só interrompida para poder recomeçar no dia seguinte.

O  Alberto ofereceu-me a sua Londres maravilhosa, o teatro, a música, a alegria de viver na deslumbrada poesia do quotidiano.

Ele já tinha deixado o emprego regular na BBC, mas ainda fazia programas que lhe permitiam ganhar o suficiente para o que considerava essencial, e que era tudo o que outros teriam considerado dispensável e supérfluo.

Era um colecionador. Não apenas de objetos preciosos  – como a lira que W. B. Yeats dedilhava quando lia os seus poemas –  mas sobretudo de momentos vividos para serem recordados como preciosos (…).

Morava num quarto alugado na casa que tinha sido de Oscar Wilde, na Tite Street, em Chelsea.

Era amigo próximo de Edith Sitwell, então no auge da sua celebridade de poeta.

Tinha tido poemas traduzidos pelo também nesse tempo muito celebrado orientalista Arthur Waley e publicados numa das mais prestigiosas editoras inglesas.

Conhecia toda a gente do mundo das letras e das artes que achava que valia a pena conhecer.

Era também um colecionador de encontros privilegiados com pessoas excecionais. Não só em Portugal e na Inglaterra mas também em França, Brasil, Estados Unidos da América e por aí adiante.

(…) O facto, no entanto, é que o AL nunca beneficiou materialmente das suas relações sociais. Por escolha própria. sacrificialmente. Por vocação poética. Porventura com um toque de infantilidade ou de angelismo. (…)

Mas foi uma orgulhosa afirmação do que considerava ser a própria essência da poesia. E é tudo isto que torna a sua poesia numa metáfora intemporal. (…)”

 

In JL de 4 a 17 de julho de 2018

 

Alberto de Lacerda (Ilha de Moçambique, 20/9/1928 – Londres, 26/8/2007)
Poeta, fundador da revista Távola Redonda com Ruy Cinatti, António Manuel Couto Viana e David Mourão-Ferreira, pintor, locutor e jornalista da BBC,  professor catedrático nos EUA, colecionador, detentor de vasta cultura.
Grande amigo de Luís Amorim de Sousa, a quem legou o seu  acervo artístico e literário.

Literatura Africana de Expressão Portuguesa, Cabo Verde – Germano d´ Almeida – O Homem e o Escritor de A a Z
Novembro 16, 2018

 

A DE ADVOGADO

Ofício com que sonhei desde menino, na romântica intenção de ser o defensor dos fracos e oprimidos.

Bem, a necessidade de todos os dias levar a panela ao lume está lá a lembrar que é sobretudo o nosso modo de vida.”

In JL de 6 a 19 de junho de 2018

(continua)

 

Germano d´ Almeida (Boa Vista, Cabo Verde, 1945)
Contista e romancista, Prémio Camões (2018), advogado.

Fernando Dacosta – “Viver com Gentileza” (Continuação)
Novembro 3, 2018

 

“(…) O curso de Românicas trouxe-me para Lisboa. E Lisboa para as tertúlias (Brasileira, Monte Carlo, Palladium, Monumental, Paraíso, Botequim), para as estreias, as oposições, os jornais.

Estes, espaços então festivos (cinco horas diárias, das 8 às 13, metade das quais a deitar abaixo Salazar), estavam habitados por grandes nomes da literatura. Trabalhei intimamente com Herberto Helder, Saramago, Cardoso Pires, Urbano, Isabel da Nóbrega, Maria Judite de Carvalho, Stau Monteiro, Natália Correia, Luiz Pacheco, Abelaira, Maria Aurora Homem. Sou um produto delas, redacções e tertúlias, ou seja, do convívio exultante dos vultos cimeiros do século XX português.

Só depois do 25 de Abril comecei (…) a publicar livros. Mesmo assim, sofri, por parte de RTP (pressionada pelas cúpulas militares revolucionárias) actos abjectos de censura, de perseguição, como os exercidos contra uma pobre peça de teatro que fiz sobre a guerra colonial, Um jipe em segunda mão – ironicamente premiada pela própria RTP.

Reter a lembrança  do tempo que me coube, no país que me coube, no jornalismo, na dramaturgia, no romance, na narrativa, na crónica, no ensaio, uma determinação.

Natália Correia (e Agostinho da Silva, e Jorge de Sena, e Vergílio Ferreira) repetiam-me: ser-se evoluído, em qualquer época, é preservar a memória, porque sem ela não há pensamento, sem pensamento não há ideias, sem ideias não há imaginação, sem imaginação não há futuro.

Assim, foram-me surgindo peças dramáticas, romances (O Viúvo; metáfora sobre a perda do império, Grande Prémio de Literatura Círculo de Leitores, sete edições; Os Infiéis, parábola à volta dos que ousam trair o estabelecido), narrativas (Máscaras de Salazar, 18 edições, e Nascido no Novo Estado).

(…)

Acho, entretanto, patético o afã com que alguns insistem em encafuar-me nas suas minúsculas prateleiras de retrosaria barata.

O ter passado a existência a não me deixar reter nelas foi-me precioso pois preservou-me a irreverência do não compromisso, a liberdades não posse, a diferença do não alinhamento, preguiça do não produtivismo, coisas fundamentais à escrita, aos sentimentos, à vida e à morte. (…)”

 

In JL, “Autobiografia”, 17 – 30 Agosto 2005

 

Fernando Dacosta (Luanda, 12/12/1945)
Jornalista, romancista, dramaturgo, contista, licenciado em Filologia Românica.

Vergílio Ferreira Na Primeira Pessoa
Agosto 29, 2018

 

” Vejo o meu pai, no limite da minha infância, dobrar a porta do pátio, com um baú de folha na mão. Vejo-o de lado, e sem se voltar, eu estou dentro do pátio e não há, na minha memória, ninguém mais ao pé de mim. Devo ter o olhar espantado e ofendido por ele partir.

Mas alguns meses depois o corredor da casa da minha avó amontoa-se de gente, na despedida da minha mãe e da minha irmã mais velha que partiam também. Do alto dos degraus de uma sala contígua, descubro um mar de cabeças agitadas e aos gritos, Estou só ainda, na memória que me ficou.

Depois, não sei como, vejo-me correndo atrás da charrete que as levava. O cavalo corria mais do que eu e a poeira que se ia erguendo tornava ainda a distância maior. Minha mãe dizia-me adeus de dentro da charrete e cada vez de mais longe. Até que deixei de correr.

Desta vez houve choro pela noite adiante – tia Quina contava, conta ainda. Mas não conta de choro algum dos meus dois irmãos que ficavam também. (…)

Três irmãos, duas tias e avó maternas, depois a vida recomeçou. Mas toda esta infância me parece atravessar apenas um longo inverno. É um inverno soturno de chuvas e de vento, de neves na montanha, de histórias de terror, contadas à luz da candeia no negrume da cozinha, assombrada de tempestade.

Até que um dia um tio de minha mãe, que era padre na aldeia (…) se empolgou para me consagrar ao Altíssimo.  Para me ir desbravando a alma, juntamente com a doutrina, atacou-me a memória com o latinório todo da missa. Aprendi-o sem falhas, ia eu nos seis anos.  (…) ”

 

In JL 28 de janeiro de 1986 (dia em que completou 70 anos)

(continua)

 

Vergílio Ferreira (Melo, Gouveia, 28/1/1916 – Lisboa, 1/3/1996)
Romancista, contista, ensaísta, autor de diários, galardoado com o Prémio Camões em 1992,  professor, licenciado em Filologia Clássica.

Fernando Dacosta – “Viver com Gentileza” (continuação)
Junho 10, 2018

 

“(…) Bastou pegar em malas, embarcar num paquete para tudo (me) desaparecer. Tinha três anos. Depois foi o desembarcar em Lisboa, o apanhar camionetas, ronronar estrídulo a caminho dos planaltos interiores, o desfazer da bagagem na casa de granito e telha, cheirando a feno e a maçãs.

Estava noutro continente, noutro hemisfério, noutro clima,  a neve e o frio cobriam os campos, as pessoas moviam-se depressa, deslizante, capotes de palha, tamancos de ferragens, não havendo, sob os seus invólucros e e o meu espanto, pretos, alguns eram mesmo loiros, com olhos e palavras azuis.

As escolas primárias sucederam-se-me (Segões, Folgosa) vidros partidos, inexistência de casa de banho, de aquecimento, cinco graus negativos enfrentados com minúsculas escalfetas levadas de casa.

Salvou-me a biblioteca da família, resistente num mirante aconchegado de sol e flores. Sol e flores imergiram-me então saídos dos livros de Camilo, Eça, António Vieira, Júlio Dinis, Victor Hugo, Salgari, Odete de Saint-Maurice, Garrett, Torga, Ferreira de Castro, Aquilino (amigo do meu avô) (…)

O Liceu de Lamego (estabelecimento para onde mandavam, pela sua interioridade, os professores incómodos ao regime) elevou-me a outro tempo. Vi no palco do deslumbrante Teatro Ribeiro Conceição da cidade, Vasco Santana, Laura Alves, Amália, Irene Isidro. E cinema: Deborah Kerr, Stewart Granger, Gary Cooper, Ava Gardener, Sophia Loren, Ana Magnani faziam-se deuses no seu écran.

A literatura, as artes, a história, a filosofia, a política tornaram-se, graças a essa iniciação, linhas determinantes na minha natureza anarca e transgressora. (…)”

In JL, “Autobiografia”, 17 – 30 Agosto 2005

(continua)

 

Fernando Dacosta (Luanda, 12/12/1945)
Jornalista, romancista, dramaturgo, contista, licenciado em Filologia Românica.

Luísa Costa Gomes – “Clausura e Disciplina”
Junho 9, 2018

 

“(…) Estive num colégio interno, mas não de freiras. Passei cinco anos no Instituto de Odivelas, que é para filhas de militares. A cena do crisma, por exemplo, de que já não me lembrava, foi uma amiga da época, hoje uma grande médica fisiatra no Hospital de S. José, que me contou.

Acho que fui eu mesma que fui a coxear, a imitar o bispo. Mas não tenho a certeza.

O livro* não é, no entanto, “autobiográfico”. Quem me dera que fosse. Para isso era preciso eu ter boa memória… Mas tem alguns ecos da experiência de clausura.

(…) Tinha dez anos quando entrei. Foi sobretudo a experiência de disciplina, que odiei, como todos os adolescentes, mas que me marcou para o resto da vida.

(…) Tornou-me trabalhadora e disciplinada. Se não tivesse tido, com a minha tendência natural para o devaneio, talvez nunca tivesse conseguido acabar nada.

Trabalhávamos das sete e meia da manhã às oito da noite, aulas todo o dia e mais três horas de estudo.

(…) Mas consegui, nos últimos anos, negociar meia hora para escrever no final do estudo. (…) Precisava absolutamente de o fazer e de ter aquele tempo para mim e para as minhas histórias. (…)

Quando saí de lá, aos 15 anos, para o liceu de Oeiras, acho que nem estudei mais… (…)”

 

In JL, “Elogio do humano”, 11 a 24 de abril de 2018

 

* Florinhas de Soror Nada – A Vida de uma Não-Santa (romance), Dom Quixote, Abril de 2018

 

Luísa Costa Gomes (Lisboa, 18/6/1954)
Contista, romancista, dramaturga, encenadora, tradutora, colaboradora em várias publicações, jornais e revistas, e programas de rádio e televisão, professora do ensino secundário, licenciada em Filosofia.

António José Saraiva na Voz de Maria Alzira Seixo
Junho 4, 2018

 

“(…) Talvez o mais conhecido do trio durante o séc. XX, é familiar de notáveis nas Letras: José Hermano Saraiva, grande comunicador; Manuela Saraiva, notável docente de Filosofia, minha querida e malogra colega no Ensino Superior; e José António Saraiva, descendente directo dele, autor prolífero e polémicos de trabalhos sobre a nossa vida cultural.

Como professor universitário, António José foi docente nas melhores instituições do ensino superior de Lisboa, actividade que nenhum dos três vultos fora autorizado a exercer durante o salazarismo; tendo este entretanto ensinado em Amesterdão e Paris.

Era por natureza pensador livre, de espírito polémico e provocador, homem que apreciava viver e nem por isso (ou seria por isso?) deixou de nos brindar com estudos importantes para o conhecimento da literatura, em O que é a cultura, As ideias de Eça de Queirós, Luís de Camões. Decisivos são os volumes Para a História da Cultura em Portugal, bem como  estudos sobre a Inquisição, seja na relação com Gil Vicente seja quanto aos Cristãos Novos.

Foi um dos nossos maiores eruditos, de marca indelével na cultura lusa: basta ler a insuperável introdução ao “Século das Luzes”, na História da Literatura Portuguesa, para se ajuizar sobre o alcance da notável investigação que aí leva a cabo, bem como do seu cariz pedagógico. (…)

Conheci Saraiva já na Universidade de Lisboa, após o seu exercício académico em Amesterdão.

Lembro numa noite, em casa de Teresa Rita Lopes, em que pude admirar-lhe a personalidade imponente! Sabedor, falando com displicência de meio político e universitário que o tinha levado a afastar-se, exprimia-se com forte dose de menosprezo e sarcasmo, que integrava o gracejo aliciante e divertido; e manifestava displicência para com os docentes que eram ainda, em parte, coniventes com o antigo regime.

Dei-lhe luta, sublinhei que muitos lutavam dentro da instituição e haviam contribuído para a nova era, sendo Jacinto do Prado Coelho, Lindley Cintra e Lourdes Belchior lutadores que impediam a universidade de esmorecer, abrindo portas ao presente.

Mas Saraiva era implacável e tinha gosto em contrariar, sabendo eu que ele e Prado Coelho eram compadres, pois ele até era padrinho do meu colega Eduardo.”

In JL, 3 a 16 de Janeiro de 2018

 

António José Saraiva (Leiria, 31/12/1917 – Lisboa, 17/3/1993)
Historiador, ensaísta e colaborador em jornais e revistas, professor catedrático, doutorado em Filologia Românica, pai do jornalista José António Saraiva, irmão de José Hermano Saraiva.