Archive for the ‘Sinais da Língua’ Category

Grupos Naturais – Dar Guinadas / Dar Importância / Dar Largas a / Dar Leis / Dar-lhe nas Ventas (para trás)
Setembro 26, 2017

 

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

Dar guinadas – baloiçar de um lado para o outro.

Ex.: A ondulação era muita, por isso, o bote da Estrela do Mar dava guinadas.

 

Dar importância – mostrar consideração; preocupar-se com; fazer caso.

Ex.:Estás a dar-lhe muita importância. Cuidado! – alertou a avó.

O agente não deu importância ao incidente.

 

Dar largas a – satisfazer todas as vontades.

Ex.: O avô não tem mão nele; dá largas a tudo o que o quer.

 

Dar leis – mandar; ordenar; ter o poder absoluto.

Ex.: É o mestre quem as leis a bordo.

 

Dar-lhe nas ventas (para trás) – bater no rosto; – para trás: dar açoites; “chegar-lhe”.

Ex.: – Cala-te, fala barato, antes que te dê nas ventas!

– Queres ver que vou dar-lhe nas ventas para trás?

Chega-lhe, mulher! Estás à espera de quê?

(continua)

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João de Araújo Correia – A Pronúncia da Língua Portuguesa
Agosto 11, 2017

“Com locutores e actores é preciso cuidado…

Cada um fala como quer, e, se diz asneiras, ninguém lhe vai à mão.

Têm carta branca para destruir a pronúncia como lhes der jeito.(…), que ninguém lhe bate.

Protege-lhe as costas a rica Irmandade da Complacência Nacional.

Rádio e teatro deveriam ser escolas de pronúncia da língua portuguesa. Pois, não são… ”

 

João de Araújo Correia (Canelas do Douro, Peso da Régua, 1/1/1899 – Peso da Régua, 3/12/1985)
Contista, novelista, colaborador de jornais e revistas, linguista, médico e professor.

Dificuldades da Língua Portuguesa – A Concordância de Vossa Excelência
Agosto 10, 2017

 

O predicativo do sujeito,  o adjetivo ou substantivo que completa o sentido dos verbos copulativos: ser, estar, ficar, continuar, parecer, permanecer adopta o género da pessoa a que as formas de tratamento: “V. Ex.ª está…”, “Sua Majestade é…” é dirigida.

Ex.: V. Ex.ª está cansada? – referindo-se a uma mulher.

V. Ex.ª está cansado? – referindo-se a um homem

Sua Majestade continua surpreendida – referindo-se a uma mulher.

Sua Majestade continua surpreendido – referindo-se a um homem.

Grupos Naturais – Dar Força / Dar Frutos / Dar Ganas / Dar Golpe / Dar Graxa
Agosto 1, 2017

 

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

 

Dar força a – dar razão, autoridade.

Ex.: O Filipe anda triste, preciso de dar-lhe força!

 

Dar frutos (ou não) – produzir, gerar

Ex.: Este projecto vai dar frutos, ao contrário do outro, que foi um fracasso.

 

Dar ganas – apetecer, ter desejo de.

Ex.: Quando o ouço aos gritos, dá-me ganas de bater-lhe.

 

Dar golpe – executar, aplicar um golpe.

Ex.: Sempre desonesto! Continua a preparar-se para dar algum golpe em alguém!

 

Dar graxa – lisonjear para obter favores; bajular.

Ex.: Ela anda sempre a dar graxa ao director.

 

(continua)

Grupos Naturais – Dar de Si / Dar em Cheio / Dar em Pantana / Dar Espectáculo / Dar Esperanças / Dar Esticão / Dar Folga
Julho 4, 2017

 

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

 

Dar de si (v. – pron. pes.) – ceder, abater.

Ex.: O soalho do salão deu de si.

 

 

Dar em cheio – acertar em tudo

Ex.: Deste em cheio com o teu plano.

 

 

Dar em pantana – arruinar-se.

Ex.: Com a sua falta de juízo, a firma deu em pantana.

 

Dar espectáculo – representar; provocar escândalo.

Ex.: O grupo de teatro deu dois espectáculos na terra do Gama.

A D. Barulheira dá espectáculo em todo o lado.

 

Dar esperanças – prometer.

Ex.: O director deu-lhe esperanças de vir a ser admitido.

 

Dar esticão – puxar com força.

Ex.: Ele deu um esticão à corda.

 

 

Dar folga – conceder feriado; manter espaço.

Ex.: O chefe deu folga à tarde.

Eles deram folga entre as madeiras.

(continua)

Grupos Naturais – Dar Carta Branca / Dar Cavaco / Dar Coice / Dar Confiança / Dar Corda / Dar de Caras (ou de ventas, de rosto)
Junho 24, 2017

 

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

 

Dar carta branca – inteira liberdade.

Ex.: O chefe deu-lhe carta branca para resolver o assunto.

 

Dar cavaco – não conversar; não aparecer; não ligar importância.

Ex.: O colega é muito estranho, não dá cavaco a ninguém.

 

Dar coice – pagar com ingratidão.

Ex.: Depois de tanta ajuda, deu-lhe um coice.

 

Dar confiança – importância; entrar em intimidades.

Ex.: Não dês confiança a estranhos.

 

Dar corda – estimular a falar.

Ex.: Dá-lhe corda, que ela nunca mais se cala.

 

Dar de caras (ou de ventas, de rosto) – encontrar-se frente a frente .

Ex.: Acabei de dar de caras com a tua amiga.

(continua)

Uso Abusivo de Estrangeirismos – Um Prazenteiro Texto
Junho 5, 2017

Caros Visitantes,

Partilho convosco um prazenteiro texto exemplificativo do uso abusivo de estrangeirismos, o qual constitui, há anos, uma proposta de reescrita numa formação,  utilizando, ao máximo, vocábulos da língua portuguesa – espero que se divirtam!

” – A Mariete acordou com o feeling de que tudo lhe iria correr bem naquele dia.

Escolheu a lingerie:  as collants grenat,  o soutien beige…

Fez a toilette: escovou o cabelo, admirando as bonitas nuances, e a maquillage – gostou do seu make-up -, perfumou-se com a sua preferida eau de parfum em spray, vestiu o tailleur cerise, olhou-se ao espelho, e achou-se muito sexy.

Pegou na pochette e saiu de casa.

Tomou o pequeno almoço na pizzaria da esquina: um iogurte e uma sanduiche.

Dirigiu-se ao atelier onde a esperavam muitos afazeres. Ao entrar, escorregou no parquet, tentou agarrar-se à secretária, mas, arrastando consigo o abajour do candeeiro, os envelopes, um dossier, um croquis e uma caixa de slides, acabou por tombar sobre o maple colocado sob o bonito poster e o placar de informações.

Estava desapontada! Com tanto stress não podia começar a trabalhar; precisava de desanuviar. Por isso, resolveu sair e dirigir-se ao shopping center. Logo à entrada, teve a chance de poder constatar o seu charme, olhando-se na vitrine.

Entrou na boutique e comprou: um top, uns jeans, uma T-shirt, uma sweater e, um tanto indecisa, mas pensando que “ele” era um  snob, escolheu também um after-shave e um creme après rasage para o seu boy-friend.

Agarrando a bracelette do seu relógio, constatou que o tempo passara rapidamente, tendo decidido que o melhor seria almoçar por ali. Como não queria perder muito tempo, dirigiu-se a um restaurante com buffet, escolheu uma salada mista com champignons, hesitou entre um soufflé coberto de Ketchup e uma omelete, tendo optado pelo primeiro. Completou a refeição com um crepe e um café.

Enquanto fumava um cigarro, pensava como seria feliz se lhe saísse o jackpot e pudesse dedicar-se ao seu hobby favorito. Mas a realidade era mais dura: o trabalho esperava-a…

De regresso ao seu gabinete, o seu staff entregou-lhe o resultado detalhado do briefing: o stock não fora controlado e havia um défice…

Preocupada, repetia para si: “Haverá algum complot orquestrado? Será jogo do meu partenaire de direção? Este resultado poderá conduzir a empresa ao lock-out?”

Talvez não, pois conhecia um expert naquelas matérias que, com o seu know-how, haveria de ajudá-la a sair daquele handicap. Encontrá-lo-ia no club de golf, pois certamente ele não faltaria ao meeting das 18 horas.

Ao sair, apercebeu-se de que cometera uma gaffe, pois pedira ao encarregado da oficina que lhe entregasse o carro na sua residência, quando deveria ter sido na empresa. Sem mais demora, dirigiu-se à gare, tirou o bilhete no guichet, tomou lugar no ferry-boat e suspirou.

Sentia-se cansada depois daquele dia tão atribulado! Talvez fosse aconselhável fazer um check-up, pensou.”

Grupos Naturais – Dar Audiência / Dar a Vida por / Dar Azar / Dar Azo / Dar Badaladas / Dar Bailes / Dar Baixa ao Hospital
Maio 16, 2017

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

 

Dar audiência – receber oficialmente.

 Ex.: A Dr.ª Filipa deu uma audiência aos imigrantes.

 

Dar a vida por – gostar muito; sacrificar-se por.

  Ex.:   A Lúcia dá a vida por uma boa passagem de modelos.

Há pais que dão a vida pelos filhos.

 

Dar azar – tirar a sorte.

 Ex.: Ela acredita que entrar com o pé esquerdo dá azar.

 

Dar azo a – proporcionar motivo.

 Ex.: A condescendência da directora poderá dar azo a abusos.

 

Dar badaladas – dar horas.

Ex.: Ao ouvir dar as doze badaladas, a Cinderela saiu do baile a correr.

 

Dar bailes – realizar, organizar bailes.

Ex.: A D. Albertina dá bailes nas festas da cidade.

 

Dar baixa ao hospital – ser internado.

 Ex.: Coitada da D. Maria! Foi atropelada e deu baixa ao hospital.

(continua)

Grupos Naturais – Dar Ares de / Dar Arrelias / Dar as Boas Festas (ou as boas-noites, as boas-vindas) / Dar as Cartas / Dar às Gâmbias / Dar as Horas / Dar as Mãos 
Abril 23, 2017

 

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

Dar ares de – parecer-se um pouco.

Ex.: O Filipe uns ares do irmão.

 

Dar arrelias – aborrecer.

Ex.: O Mauro muitas arrelias à mãe.

Dar as Boas Festas (ou as boas-noites, as boas-vindas) – saudar.

Ex.: Não lhe escreves a dar as Boas Festas?

Antes de te deitares, dá as boas-noites ao avô.

Quando o vir, vou dar-lhe as boas-vindas.

 

Dar as cartas – pôr e dispor; distribuir cartas pelos jogadores.

Ex.: Nas reuniões, quem dá as cartas é a Júlia.

Agora és tu a dar as cartas.

 

Dar às gâmbias – dançar.

 Ex.: O João deu às gâmbias no baile da Paróquia.

 

Dar as horas – dar as badaladas.

 Ex.: O relógio da torre dá as horas adiantadas.

Dar as mãos – unir-se, juntar esforços; apertar as mãos.

  Ex.: Os verdadeiros amigos dão as mãos nas horas difíceis

          As amigas deram as mãos e abraçaram-se.

(continua)

Ana Goês – Jogos com a Língua Portuguesa (continuação)
Abril 2, 2017

Pares de “frases homófonas”…

 

“É concisa, geralmente.
É com sisa, geralmente.”

 

“É um dia positivo
É um diapositivo.

 

“Coloque-os uns atrás dos outros!
Colóquios uns atrás dos outros…

 

“Excelso, genial, sublime!
Eis, CELSO, genial, sublime!

 

“É do dentista brasileiro…
EDU, dentista brasileiro…

 

“E lias muito bem…
ELIAS, muito bem!

 

“Eu, génio não sou, mas…
EUGÉNIO não sou, mas…

 

“Roubar não faz enriquecer um homem.
Roubar não faz HENRIQUE ser um homem.

 

“Violino a tocar…
Vi o LINO a tocar!

 

“Lúcia-lima, por favor!
LÚCIA, lima, por favor!

 

“Estou a pensar na taxa…
Estou a pensar, NATACHA!

 

“Ó tília, pões-me tão calmo!
OTÍLIA, pões-me tão calmo!

 

“Filipe e Rita, como sempre!
Filipe e RITA, como sempre!

 

“Só lingerie...
SOLANGE ri…

 

“Graça, morais ali?
GRAÇA MORAIS, ali…?

 

“Vem aí o lobo, Antunes!
Vem aí o LOBO ANTUNES!

 

GOÊS, Ana, Aliás Voltas Sempre / Ali às Voltas Sempre

 

Ana Goês (Carnaxide, 1936)
Poetisa e prosadora.