Archive for the ‘Sinais da Língua’ Category

Gentílicos ou Pátrios de Estados e Territórios – Afeganistão, África, África do Sul, Albânia, Alemanha, Andorra, Angola, Anguila, Antígua e Barbuda, Antiga República Jugoslava da Macedónia, Antilhas Neerlandesas
Fevereiro 18, 2018

 

Gentílicos ou pátrios – nomes que indicam: nacionalidade, origem ou lugar de nascimento, residência de alguém ou proveniência de alguma coisa.

Eis alguns, de estados e territórios:

Afeganistão ——————————————- afegão, afegane

África ————————————————– africano

África do Sul —————————————— sul-africano

Albânia ————————————————- albanês

Alemanha ——————————————— alemão, germânico, germano

Andorra ———————————————— andorrano, andorriano

Angola ———————————————— angolano, angolense, angolar

Anguila ————————————————– anguilano

Antígua e Barbuda ———————————– antiguano, barbudano

Antiga República Jugoslava da Macedónia – macedónio

Antilhas Neerlandesas —————————— antilhano

(continua)

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Gentílicos – Formas Reduzidas
Fevereiro 4, 2018

 

As formas reduzidas dos gentílicos são utilizadas em adjetivos pátrios compostos.

 

PAÍSES E PARTES DO MUNDO        FORMAS REDUZIDAS

 

África  ——————————————— afro

Ex.: Afro-europeia

 

Alemanha —————————————– germano– ou teuto

Ex.: Germano-brasileiro

 

América ——————————————- américo

Ex.: Américo-latino

 

Ásia ———————————————— ásio

Ex.: Ásio-lusitano

 

Austrália —————————————— australo

Ex.: Australo-asiático

 

Áustria ——————————————– austro

Ex.: Austro-húngaro

 

Bélgica ——————————————– belgo-

Ex.: Belgo-suiço

 

Brasil ———————————————  brasilo

Ex.: Brasilo-guianense

 

China ——————————————— sino-

Ex.: Sino-equato-guineense

 

Espanha —————————————— hispano-

Ex.: Hispano-cubano

 

Europa ——————————————- euro

Ex.: Euro-americano

 

Finlândia —————————————- fino-

Ex.: Fino-úgrico

 

França ——————————————- franco

Ex.: Franco-português

 

Galiza ——————————————– galaico– ou galego

Ex.: Galaico-português

 

Grécia ——————————————- greco-

Ex.: Greco-latino

 

Índia ——————————————– indo-

Ex.: Indo-europeia

 

Inglaterra ————————————– anglo-

Ex.: Anglo-americano

 

Itália ——————————————- ítalo-

Ex.: Ítalo-suiço

 

Japão —————————————— nipo-

Ex.: Nipo-asiático

 

Portugal ————————————– luso

Ex.: Luso-brasileiro

 

Suiça —————————————— helveto-

Ex.: Helveto-alemão

 

Grupos Naturais – Dar na Gana a / Dar na Veneta / Dar o Braço a Torcer /Dar o Corpo ao Manifesto
Janeiro 29, 2018

 

 

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

Dar na gana a – apetecer.

 Ex.: A Júlia deu-lhe na gana ir à rua comprar um gelado e bateu com a porta, resmungando por terem comido o de bagas de romã sem que tivesse provado.

 

Dar na veneta – agir por impulso, satisfazendo algo que lhe ocorreu

Ex.: O Júlio deu-lhe na veneta, e foi buscar a lata de tinta e o rolo para pintar a mancha da chaminé, que já não podia ver.

 

Dar o braço a torcer – ceder, reconhecer que errou (ou não)

Ex.: A Pinguinhas, apesar de ainda estar zangada com o Pirolito, deu o braço a torcer e confessou que gostara de tê-lo visto a defender a Rabina.

A Maria Gulosa escondeu o chocolate na algibeira, mas não deu o braço a torcer, negando quando a mãe a questionou.

 

Dar o corpo ao manifesto – entregar-se arduamente ao trabalho, à luta.

Ex.: A Inocência levantou a sua plácida voz, declarando que, a partir daquele momento, poderiam contar consigo, pois iria dar o corpo ao manifesto.

 

(continua)

Grupos Naturais – Dar Guinadas / Dar Importância / Dar Largas a / Dar Leis / Dar-lhe nas Ventas (para trás)
Setembro 26, 2017

 

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

Dar guinadas – baloiçar de um lado para o outro.

Ex.: A ondulação era muita, por isso, o bote da Estrela do Mar dava guinadas.

 

Dar importância – mostrar consideração; preocupar-se com; fazer caso.

Ex.:Estás a dar-lhe muita importância. Cuidado! – alertou a avó.

O agente não deu importância ao incidente.

 

Dar largas a – satisfazer todas as vontades.

Ex.: O avô não tem mão nele; dá largas a tudo o que o quer.

 

Dar leis – mandar; ordenar; ter o poder absoluto.

Ex.: É o mestre quem as leis a bordo.

 

Dar-lhe nas ventas (para trás) – bater no rosto; – para trás: dar açoites; “chegar-lhe”.

Ex.: – Cala-te, fala barato, antes que te dê nas ventas!

– Queres ver que vou dar-lhe nas ventas para trás?

Chega-lhe, mulher! Estás à espera de quê?

(continua)

João de Araújo Correia – A Pronúncia da Língua Portuguesa
Agosto 11, 2017

“Com locutores e actores é preciso cuidado…

Cada um fala como quer, e, se diz asneiras, ninguém lhe vai à mão.

Têm carta branca para destruir a pronúncia como lhes der jeito.(…), que ninguém lhe bate.

Protege-lhe as costas a rica Irmandade da Complacência Nacional.

Rádio e teatro deveriam ser escolas de pronúncia da língua portuguesa. Pois, não são… ”

 

João de Araújo Correia (Canelas do Douro, Peso da Régua, 1/1/1899 – Peso da Régua, 3/12/1985)
Contista, novelista, colaborador de jornais e revistas, linguista, médico e professor.

Dificuldades da Língua Portuguesa – A Concordância de Vossa Excelência
Agosto 10, 2017

 

O predicativo do sujeito,  o adjetivo ou substantivo que completa o sentido dos verbos copulativos: ser, estar, ficar, continuar, parecer, permanecer adopta o género da pessoa a que as formas de tratamento: “V. Ex.ª está…”, “Sua Majestade é…” é dirigida.

Ex.: V. Ex.ª está cansada? – referindo-se a uma mulher.

V. Ex.ª está cansado? – referindo-se a um homem

Sua Majestade continua surpreendida – referindo-se a uma mulher.

Sua Majestade continua surpreendido – referindo-se a um homem.

Grupos Naturais – Dar Força / Dar Frutos / Dar Ganas / Dar Golpe / Dar Graxa
Agosto 1, 2017

 

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

 

Dar força a – dar razão, autoridade.

Ex.: O Filipe anda triste, preciso de dar-lhe força!

 

Dar frutos (ou não) – produzir, gerar

Ex.: Este projecto vai dar frutos, ao contrário do outro, que foi um fracasso.

 

Dar ganas – apetecer, ter desejo de.

Ex.: Quando o ouço aos gritos, dá-me ganas de bater-lhe.

 

Dar golpe – executar, aplicar um golpe.

Ex.: Sempre desonesto! Continua a preparar-se para dar algum golpe em alguém!

 

Dar graxa – lisonjear para obter favores; bajular.

Ex.: Ela anda sempre a dar graxa ao director.

 

(continua)

Grupos Naturais – Dar de Si / Dar em Cheio / Dar em Pantana / Dar Espectáculo / Dar Esperanças / Dar Esticão / Dar Folga
Julho 4, 2017

 

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

 

Dar de si (v. – pron. pes.) – ceder, abater.

Ex.: O soalho do salão deu de si.

 

 

Dar em cheio – acertar em tudo

Ex.: Deste em cheio com o teu plano.

 

 

Dar em pantana – arruinar-se.

Ex.: Com a sua falta de juízo, a firma deu em pantana.

 

Dar espectáculo – representar; provocar escândalo.

Ex.: O grupo de teatro deu dois espectáculos na terra do Gama.

A D. Barulheira dá espectáculo em todo o lado.

 

Dar esperanças – prometer.

Ex.: O director deu-lhe esperanças de vir a ser admitido.

 

Dar esticão – puxar com força.

Ex.: Ele deu um esticão à corda.

 

 

Dar folga – conceder feriado; manter espaço.

Ex.: O chefe deu folga à tarde.

Eles deram folga entre as madeiras.

(continua)

Grupos Naturais – Dar Carta Branca / Dar Cavaco / Dar Coice / Dar Confiança / Dar Corda / Dar de Caras (ou de ventas, de rosto)
Junho 24, 2017

 

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

 

Dar carta branca – inteira liberdade.

Ex.: O chefe deu-lhe carta branca para resolver o assunto.

 

Dar cavaco – não conversar; não aparecer; não ligar importância.

Ex.: O colega é muito estranho, não dá cavaco a ninguém.

 

Dar coice – pagar com ingratidão.

Ex.: Depois de tanta ajuda, deu-lhe um coice.

 

Dar confiança – importância; entrar em intimidades.

Ex.: Não dês confiança a estranhos.

 

Dar corda – estimular a falar.

Ex.: Dá-lhe corda, que ela nunca mais se cala.

 

Dar de caras (ou de ventas, de rosto) – encontrar-se frente a frente .

Ex.: Acabei de dar de caras com a tua amiga.

(continua)

Uso Abusivo de Estrangeirismos – Um Prazenteiro Texto
Junho 5, 2017

Caros Visitantes,

Partilho convosco um prazenteiro texto exemplificativo do uso abusivo de estrangeirismos, o qual constitui, há anos, uma proposta de reescrita numa formação,  utilizando, ao máximo, vocábulos da língua portuguesa – espero que se divirtam!

” – A Mariete acordou com o feeling de que tudo lhe iria correr bem naquele dia.

Escolheu a lingerie:  as collants grenat,  o soutien beige…

Fez a toilette: escovou o cabelo, admirando as bonitas nuances, e a maquillage – gostou do seu make-up -, perfumou-se com a sua preferida eau de parfum em spray, vestiu o tailleur cerise, olhou-se ao espelho, e achou-se muito sexy.

Pegou na pochette e saiu de casa.

Tomou o pequeno almoço na pizzaria da esquina: um iogurte e uma sanduiche.

Dirigiu-se ao atelier onde a esperavam muitos afazeres. Ao entrar, escorregou no parquet, tentou agarrar-se à secretária, mas, arrastando consigo o abajour do candeeiro, os envelopes, um dossier, um croquis e uma caixa de slides, acabou por tombar sobre o maple colocado sob o bonito poster e o placar de informações.

Estava desapontada! Com tanto stress não podia começar a trabalhar; precisava de desanuviar. Por isso, resolveu sair e dirigir-se ao shopping center. Logo à entrada, teve a chance de poder constatar o seu charme, olhando-se na vitrine.

Entrou na boutique e comprou: um top, uns jeans, uma T-shirt, uma sweater e, um tanto indecisa, mas pensando que “ele” era um  snob, escolheu também um after-shave e um creme après rasage para o seu boy-friend.

Agarrando a bracelette do seu relógio, constatou que o tempo passara rapidamente, tendo decidido que o melhor seria almoçar por ali. Como não queria perder muito tempo, dirigiu-se a um restaurante com buffet, escolheu uma salada mista com champignons, hesitou entre um soufflé coberto de Ketchup e uma omelete, tendo optado pelo primeiro. Completou a refeição com um crepe e um café.

Enquanto fumava um cigarro, pensava como seria feliz se lhe saísse o jackpot e pudesse dedicar-se ao seu hobby favorito. Mas a realidade era mais dura: o trabalho esperava-a…

De regresso ao seu gabinete, o seu staff entregou-lhe o resultado detalhado do briefing: o stock não fora controlado e havia um défice…

Preocupada, repetia para si: “Haverá algum complot orquestrado? Será jogo do meu partenaire de direção? Este resultado poderá conduzir a empresa ao lock-out?”

Talvez não, pois conhecia um expert naquelas matérias que, com o seu know-how, haveria de ajudá-la a sair daquele handicap. Encontrá-lo-ia no club de golf, pois certamente ele não faltaria ao meeting das 18 horas.

Ao sair, apercebeu-se de que cometera uma gaffe, pois pedira ao encarregado da oficina que lhe entregasse o carro na sua residência, quando deveria ter sido na empresa. Sem mais demora, dirigiu-se à gare, tirou o bilhete no guichet, tomou lugar no ferry-boat e suspirou.

Sentia-se cansada depois daquele dia tão atribulado! Talvez fosse aconselhável fazer um check-up, pensou.”