Archive for the ‘Sinais da Língua’ Category

Grupos Naturais – Dar Carta Branca / Dar Cavaco / Dar Coice / Dar Confiança / Dar Corda / Dar de Caras (ou de ventas, de rosto)
Junho 24, 2017

 

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

 

Dar carta branca – inteira liberdade.

Ex.: O chefe deu-lhe carta branca para resolver o assunto.

 

Dar cavaco – não conversar; não aparecer; não ligar importância.

Ex.: O colega é muito estranho, não dá cavaco a ninguém.

 

Dar coice – pagar com ingratidão.

Ex.: Depois de tanta ajuda, deu-lhe um coice.

 

Dar confiança – importância; entrar em intimidades.

Ex.: Não dês confiança a estranhos.

 

Dar corda – estimular a falar.

Ex.: Dá-lhe corda, que ela nunca mais se cala.

 

Dar de caras (ou de ventas, de rosto) – encontrar-se frente a frente .

Ex.: Acabei de dar de caras com a tua amiga.

(continua)

Uso Abusivo de Estrangeirismos – Um Prazenteiro Texto
Junho 5, 2017

Caros Visitantes,

Partilho convosco um prazenteiro texto exemplificativo do uso abusivo de estrangeirismos, o qual constitui, há anos, uma proposta de reescrita numa formação,  utilizando, ao máximo, vocábulos da língua portuguesa – espero que se divirtam!

” – A Mariete acordou com o feeling de que tudo lhe iria correr bem naquele dia.

Escolheu a lingerie:  as collantes grenat,  o soutien beige…

Fez a toilette: escovou o cabelo, admirando as bonitas nuances, e a maquillage – gostou do seu make-up -. perfumou-se com a sua preferida eau de parfum em spray, vestiu o tailleur cerise, olhou-se ao espelho, e achou-se muito sexy.

Pegou na pochette e saiu de casa.

Tomou o pequeno almoço na pizzaria da esquina: um iogurte e uma sanduiche.

Dirigiu-se ao atelier onde a esperavam muitos afazeres. Ao entrar, escorregou no parquet, tentou agarrar-se à secretária, mas, arrastando consigo o abajur do candeeiro, os envelopes, um dossier, um croquis e uma caixa de slides, acabou por tombar sobre o maple colocado sob o bonito postar e o placar de informações.

Estava desapontada! Com tanto stress não podia começar a trabalhar; precisava de desanuviar. Por isso, resolveu sair e dirigir-se ao shopping center. Logo à entrada, teve a chance de poder constatar o seu charme, olhando-se na vitrine.

Entrou na boutique e comprou: um top, uns jeans, uma T-shirt, uma sweater e, um tanto indecisa, mas pensando que “ele” era um  snob, escolheu também um after-shave e um creme après rasgar para o seu boy-friend.

Agarrando a bracelette do seu relógio, constatou que o tempo passara rapidamente, tendo decidido que o melhor seria almoçar por ali. Como não queria perder muito tempo, dirigiu-se a um restaurante com buffet, escolheu uma salda mista com champignons, hesitou entre um soufflé coberto de Ketchup e uma omelete, tendo optado pelo primeiro. Completou a refeição com um crepe e um café.

Enquanto fumava um cigarro, pensava como seria feliz se lhe saísse o jackpot e pudesse dedicar-se ao seu hobby favorito. Mas a realidade era mais dura: o trabalho esperava-a…

De regresso ao seu gabinete, o seu staff entregou-lhe o resultado detalhado do briefing: o stock não fora controlado e havia um défice…

Preocupada, repetia para si: “Haverá algum complot orquestrado? Será jogo do meu partenaire de direção? Este resultado poderá conduzir a empresa ao lock-out?”

Talvez não, pois conhecia um expert naquelas matérias que, com o seu know-how, haveria de ajudá-la a sair daquele handicap. Encontrá-lo-ia no club de golf, pois certamente ele não faltaria ao meeting das 18 horas.

Ao sair, apercebeu-se de que cometera uma gaffe, pois pedira ao encarregado da oficina que lhe entregasse o carro na sua residência, quando deveria ter sido na empresa. Sem mais demora, dirigiu-se à gare, tirou o bilhete no guichet, tomou lugar no ferry-boat e suspirou.

Sentia-se cansada depois daquele dia tão atribulado! Talvez fosse aconselhável fazer um check-up, pensou.”

Grupos Naturais – Dar Audiência / Dar a Vida por / Dar Azar / Dar Azo / Dar Badaladas / Dar Bailes / Dar Baixa ao Hospital
Maio 16, 2017

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

 

Dar audiência – receber oficialmente.

 Ex.: A Dr.ª Filipa deu uma audiência aos imigrantes.

 

Dar a vida por – gostar muito; sacrificar-se por.

  Ex.:   A Lúcia dá a vida por uma boa passagem de modelos.

Há pais que dão a vida pelos filhos.

 

Dar azar – tirar a sorte.

 Ex.: Ela acredita que entrar com o pé esquerdo dá azar.

 

Dar azo a – proporcionar motivo.

 Ex.: A condescendência da directora poderá dar azo a abusos.

 

Dar badaladas – dar horas.

Ex.: Ao ouvir dar as doze badaladas, a Cinderela saiu do baile a correr.

 

Dar bailes – realizar, organizar bailes.

Ex.: A D. Albertina dá bailes nas festas da cidade.

 

Dar baixa ao hospital – ser internado.

 Ex.: Coitada da D. Maria! Foi atropelada e deu baixa ao hospital.

(continua)

Grupos Naturais – Dar Ares de / Dar Arrelias / Dar as Boas Festas (ou as boas-noites, as boas-vindas) / Dar as Cartas / Dar às Gâmbias / Dar as Horas / Dar as Mãos 
Abril 23, 2017

 

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

Dar ares de – parecer-se um pouco.

Ex.: O Filipe uns ares do irmão.

 

Dar arrelias – aborrecer.

Ex.: O Mauro muitas arrelias à mãe.

Dar as Boas Festas (ou as boas-noites, as boas-vindas) – saudar.

Ex.: Não lhe escreves a dar as Boas Festas?

Antes de te deitares, dá as boas-noites ao avô.

Quando o vir, vou dar-lhe as boas-vindas.

 

Dar as cartas – pôr e dispor; distribuir cartas pelos jogadores.

Ex.: Nas reuniões, quem dá as cartas é a Júlia.

Agora és tu a dar as cartas.

 

Dar às gâmbias – dançar.

 Ex.: O João deu às gâmbias no baile da Paróquia.

 

Dar as horas – dar as badaladas.

 Ex.: O relógio da torre dá as horas adiantadas.

Dar as mãos – unir-se, juntar esforços; apertar as mãos.

  Ex.: Os verdadeiros amigos dão as mãos nas horas difíceis

          As amigas deram as mãos e abraçaram-se.

(continua)

Ana Goês – Jogos com a Língua Portuguesa (continuação)
Abril 2, 2017

Pares de “frases homófonas”…

 

“É concisa, geralmente.
É com sisa, geralmente.”

 

“É um dia positivo
É um diapositivo.

 

“Coloque-os uns atrás dos outros!
Colóquios uns atrás dos outros…

 

“Excelso, genial, sublime!
Eis, CELSO, genial, sublime!

 

“É do dentista brasileiro…
EDU, dentista brasileiro…

 

“E lias muito bem…
ELIAS, muito bem!

 

“Eu, génio não sou, mas…
EUGÉNIO não sou, mas…

 

“Roubar não faz enriquecer um homem.
Roubar não faz HENRIQUE ser um homem.

 

“Violino a tocar…
Vi o LINO a tocar!

 

“Lúcia-lima, por favor!
LÚCIA, lima, por favor!

 

“Estou a pensar na taxa…
Estou a pensar, NATACHA!

 

“Ó tília, pões-me tão calmo!
OTÍLIA, pões-me tão calmo!

 

“Filipe e Rita, como sempre!
Filipe e RITA, como sempre!

 

“Só lingerie...
SOLANGE ri…

 

“Graça, morais ali?
GRAÇA MORAIS, ali…?

 

“Vem aí o lobo, Antunes!
Vem aí o LOBO ANTUNES!

 

GOÊS, Ana, Aliás Voltas Sempre / Ali às Voltas Sempre

 

Ana Goês (Carnaxide, 1936)
Poetisa e prosadora.

Grupos Naturais – Dar ao Rabo / Dar aos Calcanhares (ou Às de Vila-Diogo) / Dar a Palavra / Dar à Perna (ou Às Gâmbias) / Dar Apoio a / Dar a Posse / Dar a Preferência
Março 21, 2017

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

 

Dar ao rabo – agitar, abanar a cauda.

Ex.: Quando a Rosca vê a Joana começa logo a dar ao   rabo.

 

Dar aos calcanhares (ou às de vila-diogo) – fugir.

Ex.: Quando ouviu o cão, o ladrão deu aos calcanhares.

Ao fazer barulho, o Mário deu às de vila-diogo.

 

Dar a palavra – permitir que alguém fale; (honra) empenhar a palavra, garantir.

Ex.: Na sessão, o chefe de turno pediu a palavra.

          O Sr. Pardal concluiu a defesa do operário, dando a palavra de honra.

 

Dar à perna (ou às gâmbias) – dançar.

Ex.: A Quicas deu à perna toda a noite.

O Gabriel dá às gâmbias até de madrugada.

 

Dar apetite – produzir, despertar o apetite.

Ex.: O cheiro do grelhado deu-lhe apetite.

 

Dar apoio a – ajudar.

Ex.: A Fany dá apoio aos timorenses.

 

Dar a posse – entregar oficialmente os poderes a alguém.

Ex.: O presidente deu a posse do cargo ao novo director.

 

Dar a preferência – escolher.

Ex.: O júri do concurso deu a preferência aos candidatos com experiência naquela área.

 (continua)

Grupos Naturais – Dar ao Badalo / Dar ao Dedo / Dar ao Dente (ou ao Queixo) / Dar ao Demo / Dar ao Gatilho / Dar ao Inventário / Dar ao Manifesto
Março 13, 2017

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

 

Dar ao badalo – falar.

Ex.: Tudo isto aconteceu, porque ele deu ao badalo.

 

Dar ao dedo – trabalhar: costurar, fazer malha, etc.

Ex.: A Ana levou a tarde a dar ao dedo.

 

Dar ao dente (ou ao queixo) – mastigar, comer.

Ex.: Durante a festa, a Rita não parou de dar ao dente.
O Zeca deu ao queixo a noite inteira.

 

Dar ao demo (diabo) – amaldiçoar, mandar par o inferno.

Ex.: Ela deu ao demo os mexericos das colegas.

 

Dar ao gatilho – disparar a arma.

Ex.: Em tempo de guerra, os soldados dão ao gatilho.

 

Dar ao inventário – fazer a descrição completa de…

Ex.: Após o falecimento do pai, ela teve de dar ao inventário todos os bens.

 

Dar ao manifesto – declarar pormenorizadamente.

Ex.: O contrabandista foi obrigado a dar ao manifesto toda a mercadoria que transportava.

(continua)

Dificuldades da Língua Portuguesa – A “Vez”, as “Vezes” e a Vírgula
Março 10, 2017

As locuções abaixo indicadas, porque, em regra, iniciam orações novas , devem ser precedidas por vírgula:

Uma vez quelocução conjuncional subordinada condicional.

Ex.: A minha tia disse que voltaria para Portugal, uma vez que estão reunidas as condições.

 

Cada vez (em) quelocução conjuncional subordinada temporal.

Ex.: O Júlio fica mal-disposto, cada vez que como cozido.

 

Todas as vezes (em) quelocução conjuncional subordinada temporal.

Ex.: Darei comida aos sem-abrigo, todas as vezes (em) que for à Baixa.

Ana Goês – Jogos com a Língua Portuguesa (continuação)
Março 7, 2017

Pares de “frases homófonas”…

 

“Oh, sim, a mulatinha!
Oh, sim, a mula tinha…

 

“Porque não gosta de aves, truz!, bateu-lhe!
Porque não gosta de avestruz, bateu-lhe!

 

“Com defeito, Barão?
Conde feito Barão?!

 

“Eduque como deve ser!
E Duque como deve ser…

 

“O passo da Rainha reconhecia-se ao longe.
O Paço da Rainha reconhecia-se ao longe.”

 

“Reinação!…
Rei! Nação!

 

“Se a mão dobra, não interessa…
Se a mão-de-obra não interessa…

 

“Se tenta, não se senta…
Setenta, não sessenta!…

 

“Semear em Janeiro é natural…
Se miar em Janeiro é natural…

 

“Sementes, nem penses nisso!
Se mentes, nem penses nisso!

 

GOÊS, Ana, Aliás Voltas Sempre / Ali às Voltas Sempre

(continua)

 

Ana Goês, Carnaxide, 1936
Poetisa e prosadora.

Grupos Naturais – Dar Alívio / Dar a Lume / Dar à Luz / Dar a Mão / Dar a Morte / Dar Andamento (a) / Dar Ânimo
Fevereiro 28, 2017

As Vogais

Grupos Naturais – combinação de grupos a dois, associados naturalmente, frequentemente verbo-substantivo, constituindo expressões vulgarizadas pelo uso.

Apresentação de alguns exemplos:

 

Dar alívio – atenuar a dor.

Ex.: O medicamento está a dar-lhe alívio.

 

Dar a lume – publicar.

Ex.: Hoje dá a lume o décimo do livro do DC.

 

Dar à luz – parir.

Ex.: A Joana dá à luz em Agosto.

 

Dar a mão – ajudar; consentir no casamento.

Ex.: Nos momentos difíceis, o irmão deu-lhe sempre a mão.

O Sr. Silva deu a mão da filha ao Sr. Barão.

 

Dar a morte – matar.

Ex.: O acidente deu a morte ao jovem poeta.

 

Dar andamento (a) – despachar.

Ex.: A repartição está a dar andamento ao seu pedido.

 

Dar ânimo – encorajar.

Ex.: As suas palavras deram ânimo à jovem estudante.

(continua)