
“(…) A Camara não tem uma demarcação exacta do seu Municipio, e nisso mostra um desleixo muito pouco honroso.
Dentro desta área do sul, duas léguas e meia da Villa, está o logarejo chamado – Porto Côvo – sentado quasi à beira mar. Tem 20 visinhos. De todas as propriedades ahi sitas o directo senhorio é o Conde de Porto Côvo.
Porto Côvo é o rendez vous do banhistas subalternos.
Meia legua ao sul de Porto Côvo existe uma Fortaleza arruinada por dentro, mas ainda com menos má apparencia exterior. Está desartilhada, e o seu solitario habitante é um soldado de veteranos.
Nos principios de Setembro, se não me engano, faz-ze ahi uma vigilia, que é concorrida dos arredores, e dos banhistas, que se alvergãi pelas velhas casernas da Fortaleza, communista, cynica , e anarchicamente.
Oh! que romaria!!!
Quasi defronte da dita Fortaleza, a um tiro de espingarda da costa, ha um ilhote (Ilha do Pecegueiro) inculto e agreste. Terá de comprimento aquella distancia, emeia de largura. Vêem-se ainda ahi as ruinas d´um Forte e de uma Igreja, e as cortaduras e macissos de uma especie de espaldão, ou de cousa que o valha. (…)”
LOPES, Francisco Luiz, Breve Noticia de Sines, Patria de Vasco da Gama, Lisboa, Na Typographia do Panorama, 1850.
Francisco Luiz Lopes
Nasceu em Faro, 1816 e fixou-se em Sines de 1847 a 1869 como médico-cirirgião, a par de historiógrafo e cronista de costumes.