Ana Santos – O Sabor da Escrita

Outubro 6, 2014 - Leave a Response

Ana Santos

Ana Santos ganhou o Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores aos dezasseis anos.

Vejamos o que disse ao JL de 29/12/1999 sobre o que sentiu em relação ao prémio:

- “Uma surpresa e uma grande satisfação.”  (…)  “À partida, passa a haver mais gente que me vai ler… e isso muda tudo…”

E como se refere ao seu gosto pela escrita.

“Comecei a escrever assim que soube juntar as letras.”

” Se pudesse, passava as noites inteiras a escrever…”

 

Ana Santos (Lisboa, 1983)

Escritora

Guilherme D´Oliveira Martins – A Língua Portuguesa (Continuação)

Outubro 6, 2014 - Leave a Response

Guilherme D´Oliveira Martins

” Nas ilhas atlânticas, há um prolongamento dos dialetos centro-meridionais. A colonização do  século  XV partiu dessas regiões. Há exceções em S. Miguel e na Madeira. (…)

E se nos atemos apenas ao continente europeu, podemos distinguir no Brasil duas zonas linguísticas, a Norte e a Sul, separadas por uma fronteira que se estende da foz do rio Mucuri entre os Estados do Espírito Santo e da Bahia até à cidade de Mato Grosso.

Em África, na Ásia e na Oceânia, além do português como língua oficial (com muitas especificidades vocabulares), as variedades crioulas resultam do contacto do sistema da língua portuguesa com os sistemas indígenas.  (…)

Os crioulos são línguas derivadas do português. Baltazar Lopes da Silva, para o crioulo de Cabo Verde, foi, por certo o mais fecundo escritor e estudioso do tema. E a diversidade é fantástica, os crioulos: de Cabo Verde: de Barlavento (Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Sal e Boavista), de Sotavento  (Santiago, Maio, Fogo e Brava); do Golfo da Guiné (S. Tomé, Príncipe e Ano Bom, na Guiné Equatorial); os continentais (Guiné-Bissau e Casamansa); da Ásia (papiar cristan de Malaca, patuá di Macau, Sri-Lanka, Chaul, Korlai, Tellicherry, Cananor e Cochim); de Java (Tugu)).

Perante esta panóplia de extraordinária riqueza, a que temos de somar os vocábulos portugueses incorporados em diversas línguas nacionais (desde o bahasa indonésio ao japonês), percebemos que há potencialidades por aproveitar, numa economia para as pessoas.”

In JL 23 de março a 3 de abril de 2012

 

Guilherme Valdemar Pereira D´Oliveira Martins (Lisboa/23/9/1952)

Jurista, político, professor catedrático.

Cristovão de Aguiar – A Viagem do Escritor

Outubro 6, 2014 - Leave a Response

Cristovão de Aguiar

“Vejo-me viajante de uma narrativa interior, a viagem mais autêntica que o escritor pode empreender.”

In Conversa com Eduardo Brum, 08/09/2012

 

Cristovão de Aguiar (Pico da Pedra, Ilha de S. Miguel, 8/9/1940)
Romancista, poeta, contista e diarista, licenciado em Filologia Germânica.

Literatura Africana de Expressão Portuguesa – Cabo Verde, Corsino Fortes na Casa dos Estudantes do Império (Continuação)

Outubro 6, 2014 - Leave a Response

Livros

” A distinção entre o regime e Portugal era decisiva, havia forças com objetivos concretos de libertação do fascismo. (…)

Agora, entendemos bem Amílcar Cabral, líder do PAIGC e fundador das nacionalidades, quando dizia que a luta que se travava não era dirigida contra Portugal, mas contra o regime fascista.

Na minha formação em Direito não tive muitas oportunidades de me manifestar, por acusa do clima de perseguição política em Portugal, estabelecido para controlar os estudantes africanos recém-formados.”

In JL J s/ data

Corsino Fortes (Mindelo, Ilha de São Vicente, Cabo Verde, 4/2/1933)
Poeta, licenciado em Direito.

Possidónio Cachapa – O Nome, um Livro e uma Praia

Outubro 6, 2014 - Leave a Response

Possidónio Cachapa

Apresentação:

” Possidónio Cachapa é um nome complicado para um escritor que vive entre o céu e o mar.” – costuma dizer.

 

Preferência:

“Entre ler um livro e passear numa praia, prefiro passear numa praia.

Para mim, é mais importante estar no meio dos peixes do que no meio dos escritores.”

In JL, Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 1999

 

Possidónio Cachapa (Évora, 1965)

Escritor, realizador e argumentista.

“Decorridos uns Meses” ou “Decorrido uns Meses”?

Outubro 6, 2014 - Leave a Response

Vogais

Qual é a forma correta?

“Decorridos uns meses” ou “decorrido uns meses”?

O particípio tem de concordar com o substantivo em número,  portanto a forma correta é:

- Decorridos uns meses!

Se o substantivo fosse feminino, teríamos, a concordância em género por exemplo:

-  Decorrida(s) uma(s) hora(s)!

Carlos Nejar – O Homem e as Coisas

Outubro 3, 2014 - Leave a Response

Carlos Nejar

As coisas não se submetem

à nossa vestidura;
na máscara que somos
as coisas nos conjuram.

Por que não escutá-las,
tão sáfaras e puras,
como flores ou larvas,
estranhas criaturas?

Por que desprezá-las
no sopro que as transmuda
com os olhos de favas,
fechados na espessura?

Por que não escutá-las
na linguagem mais dura,
comprimidas as asas
na testa que as vincula?

Despimos a armadura
e a viseira diurna;
a linguagem resvala
onde as coisas se apuram.

Recônditas e escravas
na cava da palavra,
são fiandeiras escuras
ou áspides sequiosas.

As coisas não se submetem
à nossa vestidura.

Carlos Nejar (Brasil, Porto Alegre, 11/1/1939)
Poeta, ficcionista, tradutor, crítico, membro da Academia Brasileira de Literatura, conhecido por “poeta do pampa brasileiro”.

Carlos Paião – Cinderela

Outubro 3, 2014 - Leave a Response

Carlos Paião

Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir.
Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir.
Numa outra brincadeira passam mesmo à beira sempre sem falar.
Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.
Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo: “O meu nome é Pedro e o teu qual é?”
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: “Sou a Cinderela”.
Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela…

[Refrão]
Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p’ra aprender,
Vai dar jeito p’ra viver
O teu primeiro amor.

Cinderela das histórias a avivar memórias, a deixar mistério
Já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério.

Ela, quando lá o viu, encharcado e frio, quase o abraçou.
Com a cara assim molhada ninguém deu por nada, ele atéchorou…

[Refrão]

E agora, nos recreios, dão os seus passeios, fazem muitosplanos.
E dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos.

E, num desses momentos, houve sentimentos a falar por si.
Ele pegou na mão dela: “Sabes Cinderela, eu gosto de ti…”

Carlos Paião (Coimbra, 1/11/1957 — Rio Maior, 26/8/1988)
Cantor e compositor, licenciado em Medicina.

Maria Judite de Carvalho – Na Voz de Jacinto do Prado Coelho

Setembro 30, 2014 - Leave a Response

Maria Judite de Carvalho

“O estilo de Maria Judite não apresenta um sinal de rebusca ou uma palavra a mais. Pelo contrário: sugere, penetra, define, magoa, pela estrita economia das palavras, por uma admirável contenção…

Distingue-se pela justeza inesperada do adjectivo, pela frase nominal, um adjectivo, um substantivo isolado, em foco, dando a ênfase emocional com uma febre lúcida.”

COELHO, Jacinto do Prado, Ao Contrário de Penélope

Maria Judite de Carvalho (Lisboa, 18/9/1921 – Lisboa, 1998)
Contista, novelista, cronista, romancista, dramaturga, colaboradora em vários jornais e revistas.
Esposa de Urbano Tavares Rodrigues e mãe da escritora Isabel Fraga.

José Régio – Em Cima da Minha Mesa

Setembro 30, 2014 - Leave a Response

José Régio

Em cima da minha mesa
Da minha mesa de estudo
Mesa da minha tristeza -
Em que de noite e de dia
Rasgo as folhas, leio tudo
Destes livros em que estudo,
E me estudo
(Eu já me estudo…)
E me estudo
A mim
Também
Em cima da minha mesa,
Tenho o teu retracto, Mãe!
À cabeceira do leito,
Dentro de um caixilho,
Tenho uma Nossa Senhora
Que venero a toda a hora…
Ai minha Nossa Senhora,
Que se parece contigo,
E que tem ao peito,
Um filho
(O que ainda é mais estranho)
Que se parece comigo,
Num retratinho,
Que Tenho,
De menino pequenino!…
No fundo da minha mala,

Mesmo lá no fundo a um canto,
Não lhes vá tocar alguém,
(Quem as lesse, o que entendia?
Só riria
Do que nos comove a nós…)
Já tenho três maços, Mãe,
Das cartas que tu me escreves
Desde que saí de casa…
Três maços – e nada leves! -
Atados com um retrós…

Se não fora eu ter-te assim,
A toda a hora,
Sempre à beirinha de mim,
(sei agora
Que isto de a gente ser grande
Não é como se nos pinta…)
Mãe!, já teria morrido,
Ou já teria fugido,
Ou já teria bebido
Algum tinteiro de tinta.

José Régio (Vila do Conde, 17/09/1901 – Vila do Conde, 22/12/1969)
Pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira
Poeta, dramaturgo, romancista, contista, ensaísta, crítico, desenhador, coleccionador, licenciado em Filologia Românica.

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