Eça de Queirós – Carta a Zezé

Novembro 25, 2014 - Leave a Response

Eça de Queirós

[Biarritz, Fevereiro 1900]

Cher Zezè

Tres content de te savoir mieux de ton torti coli. Ici maintenant il fait beau – mais la mer este toujours tres farouche. Voilá les danseus basques qui commencent le carnaval. Gros baiser ton petit pere

J

Querido Zezé

Muito contente por saber que estás melhor do teu torcicolo. Aqui, agora, o tempo está bom – o mar porém continua bravio. Eis os dançarinos bascos que começam os festejos de Carnaval. Grande beijo do teu papá

 J

QUEIRÓS, Eça, A Arte de Ser Pai

Eça de Queirós (Póvoa do Varzim, 25/11/1845 – Paris, 16/8/1900)
Diplomata e escritor, considerado o melhor escritor realista português do séc. XIX.

Miguel Torga – Alma Lusa

Novembro 23, 2014 - Uma resposta

Miguel Torga

“É um fenómeno curioso:

O país ergue-se indignado, moureja o dia

indignado, come, bebe e diverte-se

indignado, mas não passa disso.

 

Falta-lhe o romantismo cínico da agressão.

Somos, socialmente, uma coletividade

pacífica de revoltados”

 

Miguel Torga (São Martinho de Anta, Vila Real, 12/8/1907 – Coimbra, 17/1/1995)
Pseudónimo de Adolfo Correia Rocha.
Contista, poeta, romancista, ensaísta, dramaturgo, um dos mais importantes escritores portugueses do século XX, médico.

Al Berto – As Marés

Novembro 22, 2014 - Leave a Response

Al Berto

“(…) Com as marés vêm os dias cheios de ausência e de perfume a violeta. (…)”

Al Berto (Coimbra, 11/1/1948-Lisboa, 13/6/1997)
Pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares
Poeta, pintor, editor, animador cultural, um “coimbrense-siniense” único.

Eugénio de Andrade – Essa Mulher

Novembro 22, 2014 - Leave a Response

Eugénio de Andrade

Essa mulher, a doce melancolia
dos seus ombros, canta.
O rumor
da sua voz entra-me pelo sono,
é muito antigo.
Traz o cheiro acidulado
da minha infância chapinhada ao sol.
O corpo leve quase de vidro.

Eugénio de Andrade (Póvoa de Atalaia, Fundão , 19/01/1923 – Porto, 13/06/2005)
Pseudónimo de José Fontinhas.
Poeta de renome internacional, tradutor, prosador, autor de literatura infantil, antologista, detentor de diversos prémios literários.

Sophia – “Caminho da Manhã”

Novembro 22, 2014 - Leave a Response

Sophia de Mello Breyner Andresen

“(…) Caminha rente às casas. Num dos teus ombros pousará a mão da sombra, no outro a mão do Sol.

Caminha até encontrares uma igreja alta e quadrada.

Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível.”

ANDRESEN, Sophia de Melo Breyner, “Caminho da Manhã”, in Obra Poética I

Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6/11/1919 – Lisboa, 2/7/2004)
Poetisa, contista, autora de literatura infantil e tradutora, a 1.ª mulher portuguesa a receber o prémio Camões (1999).

José Gabriel Duarte – Rio de Água

Novembro 22, 2014 - Leave a Response

Do nosso rio de água,

pura, doce e transparente,

eu sou lento,

tu és nascente,

não deixes de verter,

ajuda-me a  correr,

 

Não sei viver contigo ausente…

In Rio de Doze Águas

José Gabriel Duarte (Lisboa)

Poeta, estudou a vida e a obra de J.S. Bach, licenciado em engenharia informática, ex-oficial da Armada.

Saúl Dias – O Poema

Novembro 22, 2014 - Leave a Response

Saul Dias

A tarde cai,
silenciosa,
morosa…

Na alma do poeta,
o poema,
estranha rosa
rubra e preta,
abre…

 

Saúl Dias (Vila do Conde, 1/11/1902 – Vila do Conde, 1983)
Pseudónimo de Júlio Maria dos Reis Pereira
Irmão de José Régio, poeta, pertenceu ao Movimento da Presença, colaborador em vários jornais, desenhador e pintor – assinava as suas obras com o nome próprio -, engenheiro civil.

Vinicius de Moraes – Pela Luz dos Olhos Meus

Novembro 22, 2014 - Leave a Response

Vinicius de Moraes

Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p’ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.

Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 19/10/1913 – Rio de Janeiro, 9/7/1980)
Poeta, jornalista, compositor, diplomata.

Ernesto M. de Melo e Castro – A Chama

Novembro 22, 2014 - Leave a Response

Ernesto M. Melo e Castro

Uma chama não chama a outra chama

há uma outra chama que se chama

em cada chama que chama pela chama

que a chama no chamar se incendeia

CASTRO, E.M. de Melo e, Versus-In-versus

Ernesto M. Melo e Castro (Covilhã, 1932)
Poeta, crítico, ensaísta, professor universitário.

Jorge de Sena – As Pessoas

Novembro 22, 2014 - Leave a Response

Jorge de Sena

“Não é que passem as pessoas, quando

o nosso pouco é feito da passagem delas.

(…)”

Jorge de Sena (Lisboa, 2/11/1919 – St.ª Bárbara, Califórnia, 4/6/78)
Poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta, crítico, tradutor, professor catedrático, licenciado em Engenharia Civil e doutorado em Letras.

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