Sandra Carvalho – Um Passeio

Setembro 18, 2014 - Leave a Response

Sandra Carvalho

“Até um pequeno santuário natural, situado algures entre Porto Côvo e São Torpes, onde   é possível descontrair, fechar os olhos e escutar apenas a música das ondas e o canto das aves marinhas, enquanto inspiramos o odor intenso das algas.”

In JL  de 7 -20 Maio 2008

 

Sandra Carvalho (Sesimbra, 29/6/1972)

Escritora destacada pelo criatividade no âmbito do fantástico.

Jorge Vila – Ter Bons Amigos

Setembro 18, 2014 - Leave a Response

“Na vida, o importante não é ter talento; o importante é ter bons amigos.”

 

Jorge Vila(1928-2010)

Poeta, artesão, médico.

Natália Correia – O Estado e o Divórcio Cultural

Setembro 18, 2014 - Leave a Response

Natália Correia

” (…) o Estado português não tem nem pode ter autoridade, porque se assume como o poder do Poder e não como expressão da realidade ôntica de todo o social, da comunidade.

O  Estado vive em divórcio cultural com os valores éticos, intelectuais desta comunidade.

O que é que lhe resta?

Um discurso vazio, porque o discurso do Estado só não é vazio quando é preenchido pelo conhecimento das leis culturais que determinam o movimento constante do todo social. (…)”

In JL  s/data

 

Natália Correia (Fajã de Baixo, S. Miguel, 13/9/1923 – Lisboa, 16/3/1993)
Poetisa, romancista, ensaísta, jornalista e dramaturga.

Guilherme D´Oliveira Martins – A Língua Portuguesa (continuação)

Setembro 18, 2014 - Leave a Response

Guilherme D´Oliveira Martins

“(…) A coesão essencial da língua portuguesa não pode, pois, fazer esquecer  a diversidade interna  e externa.

Olhando a faixa oeste da Península Ibérica, onde nasceu o galaico-português, encontramos três grupos de dialetos ou falares diferenciados, mas muito próximos – galego, português sententrional e português centro-meridional, segundo a formulação de Lindley Cintra.

Estamos a falar da distinção entre o falar das classes cultas do eixo Coimbra-Lisboa, que define a norma dominante da língua. E aqui importa referir que a Universidade (desde o século XIII) marcou decisivamente essa norma.

(…) Garrett  dizia “nós os do Porto podemos trocar os bês pelos vês, mas nunca  a liberdade pela tirania”.

galegos e setentrionais usam dizer binho e abó, enquanto os meridionais pronunciam a consoante vê como lábio-dental. Já o ch é dito no padrão como fricatica /chave) e como africada palatal nos dilaetos galegos e nortenhos (tchave).

Quanto aos ditongos, à pronúncia  meridional (ôro, ferrêro) contrapõe-se a diferenciação galega e setentrional (ouro, ferreiro) (…) Lembrem-se os ditongos reforçados na região do Porto e Entre-Douro-e-Minho (pworto) (…)

Por outro lado, há diferenças vocabulares assinaláveis: ervilhas no norte e centro, griséus no Algarve; aloquete, a norte de Coimbra, cadeado, a sul; mais palavras de origem árabe a sul; palavras arcaicas a norte – como mugir em vez de ordenhar, espiga por maçaroca, anho por cordeiro.  (…)”

(continua)

In JL 23 de março a 3 de abril de 2012

 

Guilherme Valdemar Pereira D´Oliveira Martins (Lisboa/23/9/1952)

Jurista, político, professor catedrático.

Fugir a. Fugir de

Setembro 17, 2014 - Leave a Response

Vogais

Ambas as construções são aceitáveis em português, dependendo do contexto.

1. Fugir a

O verbo fugir pede um complemento com a preposição a quando significa: “ir a correr”, “esquivar-se”, “não assumir / fazer o que devia”.

Ex.: Ela fugia a tarefas mais complexas.

O Sr. Nabiça fugia às suas responsabilidades.

 

2. Fugir de 

O verbo fugir pede um complemento regido pela preposição de quando significa: “evitar”, “afastar-se de algo indesejável”.

Ex.: O Júlio, revoltado, fugiu de casa.

Os ladrões fugiram dos polícias.

Graça Pires – O Sabor das Palavras

Setembro 16, 2014 - Leave a Response

A pão sabem as palavras,

quando a brisa do sul nos roça a cara.

Seguro, nas duas mãos, as tuas mãos

e sob o peito (o teu, o meu), alastram ramos

transparentes que sustêm, na casa,

a trave-mestra, como se a raiz

de cada árvore nos amarrasse

as veias ao destino do coração.

 

Graça Pires (Figueira da Foz, 22/11/1946)

Poetisa, licenciada em História, angariou o Prémio de Revelação de poesia da APE de 1988.

Mário Dionísio – Arte Poética

Setembro 16, 2014 - Leave a Response

Mário Dionísio

A poesia não está nas olheiras imorais de Ofélia
nem no jardim dos lilases.
A poesia está na vida,
nas artérias imensas cheias de gente em todos os sentidos,
nos ascensores constantes,
na bicha de automóveis rápidos de todos os feitios e de todas as cores,
nas máquinas da fábrica e nos operários da fábrica
e no fumo da fábrica.
A poesia está no grito do rapaz apregoando jornais,
no vaivém de milhões de pessoas conversando ou prague­jando ou rindo.
Está no riso da loira da tabacaria,
vendendo um maço de tabaco e uma caixa de fósforos.
Está nos pulmões de aço cortando o espaço e o mar.
A poesia está na doca,
nos braços negros dos carregadores de carvão,
no beijo que se trocou no minuto entre o trabalho e o jantar
— e só durou esse minuto.
A poesia está em tudo quanto vive, em todo o movimento,
nas rodas do comboio a caminho, a caminho, a caminho
de terras sempre mais longe,
nas mãos sem luvas que se estendem para seios sem véus,
na angústia da vida.

A poesia está na luta dos homens,
está nos olhos abertos para amanhã.

 

Mário Dionísio (Lisboa, 16/7/1916 – Lisboa, 17/11/1993)

Poeta, ficcionista, ensaísta, crítico, professor universitário.

Joaquim Namorado – Edital

Setembro 16, 2014 - Leave a Response

Joaquim Namorado

Foi afixado
nos locais do costume
que É PROIBIDO MENDIGAR.

Logo mão que se descobre
escreveu a tinta por baixo
MAS NÃO É PROIBIDO SER POBRE.

NAMORADO, Joaquim, in A Poesia Necessária

Joaquim Namorado (Alter do Chão, 30/6/1919 – Coimbra, 29/12/1986)
Poeta, ensaísta, um dos iniciadores do Neo-Realismo, colaborador das revistas Seara Nova e Vértice, bem como de outras publicações, licenciado em Ciências Matemáticas, professor catedrático.

Francisco José Tenreiro – ROMANCE DE SINHÁ CARLOTA

Setembro 16, 2014 - Leave a Response

Francisco José Tenreiro

Na beira do caminho

sinhá Carlota
está pitando no seu cachimbo.

Um círculo de cuspo
a seu lado…

Veio do sul
numa leva de contratados.
Teve filhos negros
que trocam hoje o peixe
por cachaça.

Teve filhos mestiços.
Uns
forros de a. b. c.
perdidos em rixas de navalhas.
Outros foram no norte
com seus pais brancos
e o seu coração
já não lembra o rostinho deles!

Sinhá Carlota
veio há muito do sul
numa leva de contratados…

Assim
embora pra seu branco
o seu corpo não baile mais no sòcòpé
ele ao passar
fica sempre dizendo:
sàbuá?

Sinhá Carlota
nos olhos cansados e vermelhos
solta um achô distante
enquanto vai pitando
no seu cachimbo carcomido…

Francisco José Tenreiro (São Tomé, 1921-1963)

Poeta, ensaísta, contista, colaborador de diversas publicações Integrou a Casa dos Estudantes do Império, co-fundador do Centro de Estudos Africanos, professor universitário, doutorado em Ciências Geográficas (FLUL) e em Ciências Sociais (Inglaterra,1961).

Sidónio Muralha – Dois Poemas da Praia da Areia Branca

Setembro 16, 2014 - Leave a Response

Sidónio Muralha

1

Na Praia da Areia Branca
os búzios não falam só do mar:
— falam das pragas, dos clamores,
da fome dos pescadores
e dos lenços tristes a acenar.

Búzios da Praia da Areia Branca:
— um dia
haveis de falar
unicamente do mar.

2

No fundo do mar,
há barcos, tesoiros,
segredos por desvendar
e marinheiros que foram morenos ou loiros.

Ali, não são morenos nem loiros,
— são formas breves, a descansar,
sem ambições para os tesoiros
e de cabelos verdes dos limos do mar.

Serenos, serenos, repousam os mortos,

– enquanto o mar
ensina o mundo a falar
a mesma língua em todos os pontos.

Sidónio Muralha (Lisboa, 28/7/1920 – Curitiba, Paraná, Brasil, 8/12/1982)

Poeta preocupado com as injustiças sociais, escritor de literatura para crianças, integrou o Movimento Neo-Realista e o Novo Cancioneiro.

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