Eça – A Cidade e As Serras
Sines – A Abundância no Tempo dos Réis
“(…) a antiga e celebre Villa de Sines, que, ainda que não tenha muita antiguidade no seu foral, pois lhe foi dado por ElRei Dom Manoel em o 1.º de Julho de 1512, com tudo pelo que os historiadores a celebrão pela admiravel trasladação do corpo do bem aventurado S. Torpes, e inscripções antigas, que nella se achárão no tempo dos Romanos, tem mais de 2000 annos da sua fundação (…).
Está bem assentada em logar imminente ao mar, que forma uma bahia em semicirculo, que olha ao sul, com bom fundo, onde podem ancorar todo o genero de embarcações abrigadas dos ventos, não sendo sul, ou sudoeste, que nesta parte descompõem muito os mares levantando-os em formidaveis ondas.
Mas nestas occasiões recolhem as embarcações de menos fundo em uma calheta, na qual estão seguras de todo o perigo, por estar guardada do recinto d´uma muralha, a que chamão Rebelim.
(…)
É defendida a Praça de Sines por um grande castello antigo, que para o mar tem dous baluartes guarnecidos de boa artilharia; e na ponta da bahia, que faz ao ocidente, está o forte de Nossa Senhora das Sallas, com artilheria toda de bronze e de bom curso, que defende dos corsários as embarcações, que buscão o abrigo da mesma bahia.
Um tiro largo de canhão deste forte para o occidente, e em menor distancia da terra firme, está uma Ilha, ou rochedo alto, a que chamão Perseveira, defronte d´um cabo, a que se dá o nome bem conhecido dos navegantes.
(…)
Toda esta Ilha, ou monstruoso penedo, o seu nome de celebre marisco, a que chamão perserves, de que sempre está coberto em tanta copia, que quando o mar está em socego, por nesta parte tempestuoso, carregão cinco ou seis barcas delles, sem que se experimente a menor falta. (…)”
LOPES, Francisco Luiz, Breve Noticia de Sines, Patria de Vasco da Gama, Lisboa, Na Typographia do Panorama, 1850.
(continua)
Gentílicos ou Pátrios de: Lagos, Lamego, Leiria, Leixões e Lisboa (continuação)
Gentílicos ou pátrios – nomes que indicam: nacionalidade, origem ou lugar de nascimento, residência de alguém ou proveniência de alguma coisa.
Eis alguns, nacionais:
Lagos ————- lacobrigense
Lamego ———- lamecense
Leiria ————- leiriense, coliponense
Leixões ———- leixonense
Lisboa ———– lisboeta, lisbonense, lisboês, lisbonês, lisbonino, olisiponense.
(continua)
Natália Correia – Perseguições
Luís de Camões – Os Meus Amores
João de Deus – Sempre
Cesário Verde – De Tarde
Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
Cesário Verde (Lisboa, 25/2/1855 – Lumiar, 19/7/1886)
Poeta, estudante do curso Superior de Letras.
Augusto Gil – A Tout Seigneur
A Adelino Mendes
No teu pescoço esbelto de morena
Usas, às vezes, um decote em vê.
Essa letra, porém, é tão pequena
Que mal se lê,
Que mostra apenas, dentre o que escondeu,
Uma nesga inestética e minúscula.
Ora um colo como o teu…
Merece letra maiúscula.
Augusto Gil (Lordelo do Ouro, 31/7/1873 – Guarda, 26/11/1929)
Poeta, colaborador de jornais, advogado, director-geral das Belas-Artes.
Fernando Namora – O Medo
Alves Redol Visto por Carlos de Oliveira
“Vejo-o, meio sorridente, a boina basca puxada sobre a testa, a conversa pausada, em que a afabilidade e a camaradagem iam aflorando palavra a palavra, o trato sereno, quase tímido, dum camponês civilizado que conheceu muito mundo e muito meandro sem desgastar irremediavelmente a pureza inicial. Era mesmo o segredo, o impulso da sua força criadora: continuar, através de tudo, um homem ávido de gente.”
Alves Redol (Vila Franca de Xira, 29/12/1911 – Lisboa, 29/11/1969)
Romancista, dramaturgo, cronista, contista, introdutor do neo-realismo em Portugal com a obra Gaibéus (1939).









